Uma campanha europeia de consciencialização para a importância da segurança e saúde no trabalho arrancou esta quinta-feira em Portugal, com o objetivo de mostrar a «melhor forma» de lidar com o stresse e os riscos psicossociais nas empresas.

Promovida pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), a campanha «Locais de trabalho saudáveis contribuem para a gestão do stress» tem como base um estudo segundo o qual 51% dos trabalhadores europeus considera habitual o stress no local de trabalho.

Através da campanha, que decorre até 2015, a ACT procurará «apoiar e orientar os empregadores, gestores, trabalhadores e seus representantes para a prevenção de situações geradoras de stresse e promoção de ambientes de trabalho saudáveis», explicou Emília Telo, da Ponto Focal Nacional da EU-OSHA, numa resposta escrita enviada à Lusa.

Emília Telo adiantou que a prevalência de stress relacionado com o trabalho na Europa é elevada e com «custos significativos para organizações e economias».

Segundo o estudo da EU-OSHA, quatro em cada 10 profissionais afirmam que o stresse não é corretamente abordado na sua empresa.

Atualmente, o stresse é o segundo problema profissional mais frequente entre os trabalhadores europeus (logo a seguir às doenças músculo-esqueléticas), sendo responsável por 50 a 60% das faltas ao trabalho.

A maioria dos inquiridos (72%) apontou como causas mais comuns de stresse a reorganização do trabalho ou a insegurança laboral, enquanto 66% referiram os horários alargados e o volume de trabalho excessivo e 59% apontaram a intimidação ou o assédio moral no trabalho.

Os trabalhadores mais expostos a estas situações ficam mais suscetíveis a doenças psicológicas e profissionais, fatores que levam a uma baixa produtividade e a um aumento de absentismo.

Na Europa, estima-se que os custos totais com perturbações da saúde mental (relacionadas ou não com o trabalho) ascendam a 240 mil milhões de euros por ano.

Menos de metade desse montante resulta de custos diretos, como tratamentos médicos, sendo 136 mil milhões de euros imputáveis à perda de produtividade, incluindo o absentismo por baixa médica.

«É, pois, importante invertermos esta situação para benefício de todos e tal pode ser alcançado, pois podemos prevenir e gerir os riscos psicossociais nos locais de trabalho», defendeu Emília Telo.

As empresas e organizações têm «todos os motivos» para se envolverem na prevenção e gestão deste problema, através da «construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, em que todos beneficiam: trabalhadores, empresas e economia», sustentou.

Para isso, os empregadores devem estimular os trabalhadores: «Um bom gestor inspira e motiva os seus colaboradores, conhece os seus pontos fortes e fracos, incentiva-os a trabalhar para a concretização de objetivos comuns e eleva o seu moral».

Por seu turno, os trabalhadores ajudam a identificar problemas e encontrar soluções ao partilharem o seu conhecimento do local de trabalho com os empregadores, explicou.

Emília Telo observou que há algumas empresas portuguesas «com boas práticas neste domínio».

«Estamos numa economia global, altamente competitiva, e tudo o que se possa fazer para benefício das empresas e da própria economia é bem recebido», sendo a informação «um dos pilares de qualquer estratégia de prevenção de riscos profissionais», acrescentou.