O presidente do BCP diz que se tem falado demasiado sobre a relação de Portugal com Angola, mas que a questão não está a ser bem tratada e que isso não é positivo para o nosso país.

«Falamos demais das relações com Angola. No mínimo, o que está em segredo de justiça está em segredo de justiça. Sei que os jornalistas têm sempre tendência para procurar as informações que não são públicas, mas a função da outra parte é não dar as informações que não são públicas», disse Nuno Amado numa conferência organizada esta terça-feira em Lisboa pelo «Diário Económico» e pela «Antena 1».

«Não sei se estamos a tratar bem ou mal [Angola], não me parece que estejamos a tratar bem e não me parece que isso seja positivo para Portugal. Acho que é negativo, mas é uma opinião muito pessoal», afirmou.

O banqueiro garante que a crise diplomática não teve «reflexos diretos na vida do BCP» mas admite que «um conjunto de clientes com relações ou atividade relevante em Angola», manifestou «receio acrescido que não tinha anteriormente».

«O medo é sempre inimigo do investimento. O medo é sempre inimigo do progresso», alertou.

Recorde-se que o o BCP tem, como admitiu Nuno Amado, «um acionista de referência angolano», a Sonangol, e que está «muito confortável com a situação».

«As relações entre Portugal e Angola, Portugal e Moçambique, Portugal e os PALOP» são «uma via essencial para o nosso futuro e para o apoio e contributo que podemos dar em parcerias com alguns desses países», sublinhou. «Espero que essa situação se estabilize num nível bastante melhor do que o atual».