A comissão de trabalhadores (CT) do Novo Banco denunciou esta sexta-feira que este «está parado» por «pressões externas», eventualmente de bancos concorrentes.

Os trabalhadores denunciam ainda que continuam por concretizar os reembolsos prometidos pelo Banco de Portugal aos clientes de determinados produtos financeiros.

«A impressão que temos é que o banco está parado, que alguém anda a fazer com que o banco esteja parado», afirmou o coordenador da CT em declarações à agência Lusa, no final de uma audiência, em Lisboa, com o grupo parlamentar do PCP sobre o futuro do Novo Banco.

Questionando sobre as razões que estão na origem da não realização do reembolso aos clientes de determinados produtos financeiros, como «já há algum tempo» foi assegurado que aconteceria pelo governador do Banco de Portugal (BdP), João Matos salientou que, nalguns casos, «os produtos já se venceram há cerca de um mês» e continuam por liquidar.

«A autorização tem que vir do BdP e não vem. Estamos todos os dias à espera que apareçam instruções para serem feitos alguns reembolsos, mas os poucos que o foram [feitos] são de valores quase insignificantes», afirmou, citado pela Lusa.

Para João Matos, «eventualmente, poderá tratar-se de pressões dos outros bancos, porque quanto mais tempo [o Novo Banco] estiver parado melhor é para os outros, mais desconfiança se gera nos clientes, quase os obrigando a sair para outro lado».

«Há alguém que nos está a travar e não é a administração do banco. Achamos que são pressões exteriores, provavelmente de outros bancos, que esta administração está a sofrer no sentido de ter calma, e isto não pode ser», sustentou.

Na opinião do coordenador da CT, o «importante» é que «o banco comece a reembolsar quem ainda não foi reembolsado» para que «os clientes voltem a ter confiança e regressem, como muitos já estão a regressar».

Neste contexto, os trabalhadores defendem que a instituição bancária não seja vendida «à pressa», sustentando que, «para salvaguardar os trabalhadores e os contribuintes, é mais importante que o banco se mantenha como está, para mais tarde poder, hipoteticamente, ser vendido, mas por um valor mais justo».

«Este não é o momento ideal para a venda. É evidente que os bancos da concorrência, que puseram dinheiro para salvar este banco, querem acabar com isto o mais rápido possível, para acabarem também com a agonia deles e receberem o dinheiro que cá investiram. Mas internamente é necessário que haja calma e também é preciso que a conjuntura externa melhore», sustentou João Matos.

Apelando para que «deixem» os trabalhadores «recuperar o banco», que «tem quotas de mercado muito significativas» e invejadas pela banca concorrente, o coordenador admite a venda, mas só «daqui por mais alguns anos».

«Penso que, se nos deixarem trabalhar em condições, dois a três anos pode ser um período suficiente para pormos isto nos carris e a funcionar como deve ser e como estava. Porque os trabalhadores são os mesmos e, dos clientes que lidavam connosco, muitos ficaram e, se houve alguns que saíram, dizem-nos que querem regressar», salientou.

Dos contatos que vem mantendo com os trabalhadores do Novo Banco nas reuniões realizadas nas últimas três semanas em diversos balcões de todo o país, a CT ter «a perceção de que as pessoas estão motivadas e não querem a venda do banco. Só pedem que ponham o banco a funcionar, porque neste momento está parado e, assim, não vai lá».

«Neste momento, as pessoas já estão mais tranquilas em relação a despedimentos e reformas, mas nunca podemos descurar essa possibilidade, porque vimos noutros bancos que foram recapitalizados o que é que aconteceu», rematou João Matos, nota a Lusa.

Realizada a pedido da CT do Novo Banco, a audiência de hoje com o grupo parlamentar do PCP segue-se a uma outra realizada na semana passada com elementos do Partido Ecologista Os Verdes.