A segunda plataforma petrolífera do Campo de Lula, na Bacia de Santos (Brasil), em que Galp possui participação, realizará na próxima semana o seu primeiro embarque de petróleo, com um carregamento de 1,6 milhões de barris.

A informação foi adiantada pelo presidente da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, que esteve no Rio de Janeiro para a assinatura de novos contratos para exploração em áreas do nordeste brasileiro, adquiridos em maio deste ano, escreve a Lusa.

A unidade Cidade de Paraty é a segunda, de um total de dez a ser construídas nos próximos anos, numa das maiores descobertas feitas na região do pré-sal, camada localizada em águas marinhas a cerca de 6.000 quilómetros de profundidade do nível do mar.

De acordo com o presidente da petrolífera portuguesa, a unidade de Paraty iniciou as suas atividades em junho e opera atualmente a um volume restrito, de 25 mil barris dia, que será ampliado progressivamente, até atingir seu nível máximo de produção - de 120 mil barris dia - no segundo semestre de 2014.

Para os próximos anos, estão previstos ainda a entrada em operação da unidade de Mangaratiba, (novembro de 2014); Itaguaí (dezembro de 2015); e Lula Alto e Lula Central, ambos previstos para 2016.

No total, o campo de Lula-Iracema possui um volume recuperável estimado em 8,3 mil milhões de barris de petróleo equivalente (petróleo mais gás), sendo um empreendimento-chave para a realização da meta da Galp Energia, que prevê multiplicar por 10 o seu nível atual de produção, até 2020.

Atualmente, a produção total da Galp gira em torno de 23 mil barris de petróleo equivalente (óleo mais gás) e a meta é atingir os 300 mil barris diários, nos próximos sete anos.

«As reservas de Lula-Iracema dariam para alimentar as duas refinarias que a Galp possui pelos próximos 100 anos», observou à Lusa o presidente da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, ao comparar o que este volume representa para o mercado português, que hoje consome cerca de 250 mil barris por dia.

Na prática, a Galp tem direito a 10% de toda a produção, volume proporcional à sua participação no consórcio, compartilhado com a subsidiária brasileira do grupo britânico BG (25%) e operado pela Petrobras, que detém os demais 65%.

De acordo com Ferreira de Oliveira, o investimento total (também compartilhado proporcionalmente com os seus sócios) gira em torno de 1,6 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), para cada unidade.

Boa parte da receita fica no Brasil, em pagamento de impostos (34 por cento sobre o lucro), e royalties (50% sobre a receita).

«Se não fosse rentável, não fazíamos», garantiu Ferreira de Oliveira, sem citar o retorno previsto para o empreendimento.

As ações da Galp Energia começaram a ser cotadas em bolsa em outubro de 2006, mesmo ano que ocorreu o anúncio da descoberta do campo de Lula. Desde então, as ações da companhia mais que dobraram de valor, passando de 6,00 euros para os atuais 12,47 euros, cotados na quinta-feira.

Ferreira de Oliveira avançou ainda que a empresa estuda a possibilidade de participar na próxima licitação de áreas para exploração de petróleo no Brasil, que acontecerá em outubro, com o leilão do mega-campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

A estimativa é de que área seja capaz de produzir, no seu pico, um milhão de barris diários de petróleo, o equivalente a metade de todo o petróleo que o Brasil produz atualmente.