O presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), José Almaça, afirmou esta quarta-feira não ter qualquer informação que «desabone» sobre a situação financeira do grupo chinês Fosun que comprou a Caixa Seguros e garante ter consultado vários supervisores.

«Não temos informações que desabonem em termos de solidez financeira do grupo Fosun», disse José Almaça no parlamento, onde acabou de ser ouvido no âmbito da audição anual das Entidades Reguladoras.

O responsável frisou que o ISP consultou neste processo «várias entidades de supervisão», de Hong Kong, da República Popular da China, e «em off» a de Macau «pela proximidade», além dos dados económicos da empresa adquirente, o grupo Fosun.

«Analisámos também as contas de todas as empresas do grupo», disse, referindo-se às três empresas envolvidas no processo, a LongRun Portugal, a Millennium Gain Limited e a Fosun Financial Holdings Limited.

José Almaça respondia desta forma aos deputados depois de a agência de notação financeira Moody's ter afirmado em meados deste mês que há riscos no que toca à integração da seguradora nacional no portfólio da Fosun e ter levantado questões sobre a solidez financeira do grupo.

O responsável adiantou ainda que sugeriu que a sede ficasse estabelecida em Lisboa quando foi consultado sobre a operação, e não no Luxemburgo, como pretendia o grupo.

«Disse que preferia que a sede fosse em Lisboa, não sei se foi por isso que foi criada a LongRun, presumo que sim», disse.

Além disso, o responsável adiantou ainda que «as três empresas vão ser supervisionadas pelo ISP», tendo sido fixados alguns parâmetros de manutenção de níveis de solvência, que não poderão descer abaixo dos 150%, assim como a nomeação dos órgãos sociais também terá de passar pelo Instituto.

«Tudo isso foi observado», reforçou.

O ISP deu na quinta-feira 'luz verde' à venda de 80% dos seguros da Caixa Geral de Depósitos (CGD) ao grupo chinês Fosun.

Segundo o comunicado divulgado, a entidade liderada por José Almaça tomou a decisão de não oposição depois dos requerimentos apresentados, dando conta da intenção de o grupo chinês Fosun «adquirir, através da LongRun Portugal, pelo menos 80% do capital social e dos direitos de voto da Fidelidade - Companhia de Seguros, da Multicare - Seguros de Saúde, e da Cares - Companhia de Seguros, à Caixa Seguros e Saúde».

Isto, tendo em conta «o compromisso dos adquirentes em manter a estabilidade da gestão das empresas de seguros que passarão a controlar e o compromisso de manutenção de um rácio de cobertura da margem de solvência adequado aos vários níveis exigidos ao grupo», refere.

O Governo português escolheu vender 80% da Caixa Seguros à companhia chinesa Fosun International por mil milhões de euros, uma privatização que deverá ser concretizada até final deste semestre.

O presidente executivo do banco público, José de Matos, disse em fevereiro que o dinheiro arrecadado será usado para recapitalizar a própria instituição.