O presidente do Montepio escreveu uma carta aos clientes do banco mutualista apontando para os "fortes ataques" que têm sido feitos contra a entidade e negando qualquer semelhança entre o Grupo Montepio e o Grupo Espírito Santo (GES).

"Esta Caixa Económica tem vindo a ser alvo de fortes ataques, questionando-se a sua segurança, solidez e adequação de processos. Esses ataques sobressaltam clientes e a sociedade no seu todo, habituados a reconhecer na marca Montepio Geral uma reputação de confiança construída ao longo de 175 anos", lê-se na missiva assinada por António Tomás Correia, a que a agência Lusa teve acesso.

"Muito tem sido dito, desde comparações com um grupo que atravessou dificuldades profundas até suspeições quanto ao modelo de gestão, passando pelo quadro de supervisão ou por uma auditoria especial que, ao longo de meses, foi propalada pelos 'media' como forense, colocando-nos sob um manto de dúvida e desconfiança que só agora (conhecidas as conclusões do Banco de Portugal) podemos afastar", reforçou o gestor.


E realçou: "A ausência de razão e fundamento nas acusações dirigidas a esta instituição e ao grupo mutualista a que pertence exigem a mensagem que lhes dirigimos".

Apontando para a "analogia entre o grupo GES/BES e o grupo Montepio", Tomás Correia considerou que "importa esclarecer que não existe qualquer semelhança entre o modelo institucional e de negócio do GES/BES e da CEMG [Caixa Económica Montepio Geral]".

Mais, Tomás Correia vincou que "entre todas as entidades que operam no setor financeiro, a CEMG é das que mais se diferenciam do grupo GES/BES em termos de natureza jurídica, características institucionais, finalidades, perfil de atividade, dimensão ou 'modus operandi'".

O responsável assinalou ainda que as alterações que estão a ser introduzidas no modelo de governo do banco mutualista "não resultam de recomendação, preocupação ou aviso do Banco de Portugal", mas da "adoção das recentes alterações e novos requisitos do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras".

Tomás Correia destacou ainda que o Montepio atravessou a crise económica e financeira "que devastou o país, sem necessidade de qualquer apoio ou intervenção públicos".

E concluiu que o Montepio "alinha a sua atuação, como sempre fez, pela gestão prudente, pela transparência, solidez e seriedade, garantindo a estabilidade dos recursos, a segurança dos seus clientes e as condições necessárias à condução ponderada e tranquila de uma instituição quase bicentenária".