A Metro do Porto terminou 2012 com prejuízos de 491,4 milhões de euros, mas atingiu um EBITDA positivo de 3,9 milhões de euros, de acordo com o relatório e contas da empresa aprovado esta sexta-feira pelos acionistas.

Os prejuízos registados representam um agravamento da situação financeira da empresa em 23,7% face a 2011.

Já o EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) positivo de 3,9 milhões de euros no ano passado contraria o valor negativo de quatro milhões de euros em 2011.

Na mensagem que deixa no relatório, o presidente do conselho de administração da empresa, João Velez Carvalho, salienta que, «a par de um resultado positivo antes das reintegrações e dos encargos financeiros, os resultados líquidos continuam a evidenciar a ausência de contrapartidas pela utilização do investimento realizado».

Para Velez Carvalho, os resultado demonstram também «a necessidade de criação de provisões pela reposição de todos os equipamentos cuja vida útil seja inferior ao período de concessão, a entrega em normais condições de uso a custo zero de todo o aparelho produtivo no final desta, o financiamento do investimento com 74% de capital alheio e os efeitos dos contratos de derivados financeiros celebrados em anos anteriores».

A Metro do Porto «detém 14 instrumentos financeiros de derivados, cuja finalidade consiste em reduzir a exposição da empresa ao risco de taxa de juro», sendo que, em 2012, «não foi contratado qualquer novo instrumento financeiro de derivado de taxa de juro», lê-se no relatório.

O presidente salienta ainda que «o exercício de 2012 encerra um ciclo», tendo em conta que a empresa e a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) «iniciaram a meio do ano os seus processos de reestruturação, fusão operacional e aperfeiçoamento/definição dos respetivos modelos de abertura à iniciativa privada», no âmbito do Plano Estratégico dos Transportes (PET).

No exercício de 2012, a Metro do Porto transportou um total de 54,5 milhões de clientes, menos 2,2% face ao ano anterior.

Esta foi a primeira vez desde o arranque da exploração comercial do sistema (2003) que a procura diminuiu, contudo, a empresa refere que «esta redução do número de validações foi generalizada nos diferentes operadores de transporte coletivo das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, mas significativamente menos acentuada no caso do Metro do Porto».

Ao nível do desempenho operacional, a receita cifrou-se em 39,8 milhões de euros, crescendo 8,5% face a 2011, sendo que os custos operacionais (custos diretos da operação, manutenção e conservação, segurança, fiscalização e encargos com pessoal) registaram uma redução de 7,8%, para os 54,5 milhões de euros.

O relatório revela também que, em 2012, registaram-se 66 ocorrências, designadamente 19 colisões, 10 acidentes com peões e 37 incidentes com clientes dentro dos veículos, o que representa menos 5,7% face ao ano anterior.

João Velez Carvalho refere ainda que, «apesar da boa relação com o consórcio ViaPorto [atual operador da Metro], este tem ao longo dos anos levantado diversas questões quanto à interpretação do sistema de incentivos», mas «como no final do ano este diferendo se encontrava em plena negociação, foi decidido continuar a contabilizar o 'malus' do exercício como acréscimo de rendimento».

Em causa estão 18 milhões de euros reclamados pela Metro do Porto à concessionária ViaPorto, relativos a penalizações acumuladas nos últimos três anos devido a desvios de procura de clientes.

Nos termos do contrato de concessão, o consórcio, liderado pela Barraqueiro, tem direito a um prémio quando a procura efetiva corrigida ultrapassa em mais de 3% a procura estimada para cada ano, mas é penalizado quando a procura corrigida é inferior em mais de 3% à procura prevista.