O presidente da SAER, José Poças Esteves, afirmou esta quarta-feira que as empresas portuguesas estão muito dependentes do financiamento bancário e que a via alternativa passa pelo acesso ao mercado de capitais.

O economista, que falava na apresentação do relatório de março da Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (Saer), em Lisboa, explicou que o tecido empresarial português é composto em 99% por pequenas e médias empresas (PME) e que o «financiamento bancário [para estas empresas] está estagnado», pelo que há que «criar alternativas» que passam pela procura de financiamento ao nível do mercado de capitais.

«O financiamento das PME junto da banca está praticamente estagnado, daí que haja necessidade de se criar financiamento alternativo no mercado de capitais, recorrendo a instrumentos disponíveis, caso das ações, obrigações e produtos híbridos, nomeadamente ações preferenciais, obrigações com 'warrants' [instrumentos financeiros] e obrigações convertíveis, que contêm uma parte de capital próprio e outra de dívida», sublinhou.

O economista alertou ainda para o facto de as PME portuguesas estarem «descapitalizadas [...] e terem um elevado financiamento de curto prazo».

«As PME portuguesas devem procurar no mercado de capitais financiamento mais estruturante, de médio e longo prazo, para que possam crescer, ser competitivas e criarem emprego», salientou.

A necessidade de capitalização das PME, de acordo com Poças Esteves, deve levar a que se olhe para o mercado de capitais como «uma alternativa de financiamento, complementar aos bancos e não incompatível, ajudando as empresas a reduzirem a sua elevada dependência do crédito bancário».

O economista referiu também que menos 1% do financiamento do investimento realizado pelas empresas provém do mercado de capitais, o que contrasta com os Estados Unidos onde esse valor varia entre os 20% a 30% e com a União Europeia onde anda pelos 10%.

O presidente da Saer advogou ainda a regulação teria de ser mais facilitadora para as PME se financiarem no mercado de capitais, nomeadamente no que respeita à eliminação de uma pesada burocracia.

As PME deveriam avançar também para uma gestão profissional e abrir o seu capital a investidores, realçou o economista, para quem a crise e as políticas de ajustamento levarão a uma reestruturação do tecido empresarial, com as PME que não forem capazes de se adaptar, estiverem sobre-endividadas e não apostarem na internacionalização a poderem desaparecer.