O grupo aéreo alemão Lufthansa denunciou esta segunda-feira o projeto de parceria atualmente a ser negociado entre a Etihad Airways, dos Emirados Árabes Unidos, e a companhia aérea italiana Alitalia, que considera uma ajuda de Estado disfarçada.

«Nós recusamos ajudas repetidas bem como a nacionalização parcial de companhias aéreas europeias, independentemente do facto de isso ser feito por Estados europeus ou outros ou de empresas públicas fora da União Europeia», escreve o grupo alemão num comunicado hoje divulgado.

«Apelamos à Comissão Europeia para prescrever tais táticas para contornar» as regras da concorrência, adianta a Lufthansa, reagindo ao anúncio da Etihad Airways, que declarou no domingo estar numa fase final de avaliação de um investimento na Alitalia.

Sem citar diretamente a Etihad Airways, detida pelo emir de Abu Dabi, a Lufthansa sublinha que há fora da Europa «sistemas públicos de transporte aéreo integrados, incluindo aeroportos, companhias aéreas e outros prestadores de serviços. Estas desenvolvem-se de forma agressiva».

A Etihad Airways, cuja estratégia se baseia na detenção de participações minoritárias noutras companhias aéreas para desenvolver a um custo inferior a cobertura geográfica, tinha confirmado em dezembro estar em negociações com a Alitalia, uma empresa cronicamente deficitária.

Em plena expansão, a Etihad Airways já possui participações na Air Berlin (29%), na Air Seychelles (40%), na Virgin Australia (19,9%) e na Aer Lingus (3%) e comprou recentemente participações de 24% na Jet Airways na Índia e de 49% na Air Serbia.

No domingo a Alitalia anunciou num comunicado conjunto com a Etihad Airways que as negociações para a entrada da companhia aérea dos Emirados Árabes, Etihad, no capital da transportadora aérea italiana «entraram na fase final».

A Alitalia e a Etihad estão há várias semanas em conversações sobre o possível investimento da companhia aérea dos Emirados Árabes no capital da transportadora aérea italiana, que a 20 de dezembro anunciou um aumento de capital de 300 milhões de euros.

Segundo meios de comunicação, a Etihad Airways está interessada na compra de uma participação de 40% da Alitalia.

O anúncio surgiu quando o presidente do Governo italiano, Enrico Letta, se encontra em visita oficial aos Emirados Árabes.

A necessidade de um sócio é vital para a companhia aérea italiana, que já esteve em 2009 à beira da falência, mas foi salva por um grupo de cerca de 20 investidores privados italianos e pelo grupo Air France-KLM.

Neste último aumento de capital de dezembro, a injeção de 75 milhões de euros chegou pela parte do grupo dos Correios italianos.

Os analistas sublinham que este aumento de capital foi apenas um 'balão de oxigénio', já que a Alitalia, que obteve lucros pela última vez em 2002, perde 700.000 euros por dia.