Lojistas da Avenida da Liberdade, em Lisboa, contestam a realização do Mega Piquenique naquela artéria da capital, no próximo fim de semana, afirmando que irá prejudicar o negócio, e lamentam não terem sido consultados pela organização do evento.

A Avenida da Liberdade e os Restauradores vão ter condicionamentos ao trânsito entre hoje e segunda-feira, com o encerramento total da avenida no sábado, durante todo o dia, informou a autarquia.

Para a diretora da loja da Gucci, a iniciativa do Continente «prejudica muitíssimo» porque os condicionamentos ao trânsito que vão ocorrer afastam os clientes da marca e o evento não atrai novos compradores.

Para a responsável, «é lamentável o facto de não terem sido sequer consultados» acerca da escolha daquela avenida para receber o piquenique.

«Nenhum de nós [lojistas] foi consultado», disse à Lusa Paula Isidoro, para quem aquele evento «não cabe numa avenida como aquela» e sugeriu locais «mais apropriados» como o Terreiro do Paço ou o Parque Eduardo VII.

A diretora da loja da Gucci na Avenida da Liberdade pondera encerrar o estabelecimento naquele dia, que «vai ser catastrófico» em termos de negócio.

Opinião semelhante tem Filipe Roçadas, que gere dois estabelecimentos naquela avenida e lembra-se das consequências do último Mega Piquenique naquele local: «A partir das 14:00 mais valia estar fechado. Perdemos 60% do valor do dia».

Para o próximo ano, Filipe Roçadas sugere o Parque Eduardo VII por ser «de fácil acessibilidade e com espaços verdes».

«Porquê uma artéria central onde se tem de fechar estradas?», questionou.

A gerente de uma outra loja, que prefere o anonimato, mostrou-se bastante crítica e defendeu que a Câmara de Lisboa devia ter outras preocupações.

«A 10.ª avenida de luxo do mundo vai ser invadida por um piquenique que tem toda a legitimidade de existir, mas não à nossa porta. Era preferível que a câmara se dedicasse a arranjar a avenida que tem inúmeros sem abrigo e essas pessoas mereciam uma vida melhor, ou a limpar a avenida ou a arranjar os passeios que estão todos destruídos», frisou.

Afirmando que tinha um evento marcado para esse dia na loja e teve de o cancelar, a gerente afirmou que sábado será um dia de «enorme prejuízo».

Comparando com as marchas populares, a gerente frisou que são «uma tradição e a cultura» lisboeta, pelo que são entendidas e aceites.

«Agora, uma entidade privada [que promove o piquenique] que não tem nada a ver com a avenida nem com os comerciantes, é mais complicado», afirmou.

Também a presidente da Associação Passeio Público, que representa moradores e comerciantes da avenida, defendeu que «não é o local mais adequado» para receber o piquenique.

«Não é o espaço próprio para fazer um evento deste tipo. O local do Rock in Rio ou Monsanto, que tem árvores e campo, são mais apropriados», defendeu Maria João Bahia.

Opinião contrária tem o gerente da Michael Kors em Lisboa que vê o evento como uma oportunidade de trazer mais clientes.

«Tudo o que traga pessoas para nós é sempre bom. Não vejo nenhum problema», disse.

Contactado pela Lusa, o vereador das Estruturas Verdes, José Sá Fernandes, disse saber do descontentamento dos lojistas, estando a trabalhar para minimizar problemas.

«Vamos tentar reforçar a segurança, os acessos para cargas e descargas estão garantidos, mas é evidente que vão existir constrangimentos no trânsito», afirmou.

Sá Fernandes frisou que este é um evento «com grande impacto e gratuito que a cidade de Lisboa oferece aos cidadãos» e explicou que não podia ser feito no Terreiro do Paço por causa das obras na Ribeira das Naus, nem no Parque Eduardo VII por causa do «Futebol Parque», que transmite os jogos do mundial.