A ligação ferroviária de alta prestação entre Sines e a fronteira espanhola só estará pronta depois de 2015, e dependerá da opinião dos empresários e do quadro de apoio comunitário, disse esta terça-feira o secretário de Estado dos Transportes.

«Mais do que colocar datas é importante garantir que há coerências dos planos. Quer Portugal quer Espanha tiveram necessidades de rever planos dos governos anteriores, porque esses planos estavam desadequados da realidade económica», disse hoje em Madrid, Sérgio Monteiro.

«Estamos comprometidos em ter um plano que seja executável, viável e que tenha impacto e apoio na economia», insistiu o governante português depois de uma reunião com a ministra do Fomento espanhol, Ana Pastor, em Madrid em que participou também o ministro da Economia, Antonio Pires de Lima.

Monteiro explicou que o projeto final pode incluir linhas de «alta prestação», com velocidades ligeiramente acima dos 200 quilómetros, essencialmente de mercadorias mas também «abertas a passageiros», tanto a partir de Sines/Lisboa como, eventualmente, de Aveiro.

Sérgio Monteiro destacou que o Governo está à espera da entrega, até final do mês, do relatório do grupo de trabalho de infraestruturas de elevado valor acrescentado, um documento «da economia real, dos empresários» que vão dizer o que consideram «importante para reduzir custos de contexto e aumentar a competitividade».

«A partir daí podemos tornar coerente o nosso plano com o plano espanhol e garantir que nas ligações transfronteiriças e nas ligações da rede transeuropeia nós temos infraestruturas com um custo mínimo e um impacto máximo na competitividade», sublinhou.

Apesar da insistência dos jornalistas Sérgio Monteiro recusou-se a avançar um calendário preciso para o projeto, afirmando que o Governo conta ter um apoio de fundos europeus de «até 85% do valor do projeto».

Será, insistiu, um projeto com «contas, com orçamento e com objetivos», que procurará «ouvir dos empresários o que é importante para a competitividade», com o Governo a «tomar decisões políticas ouvindo a sociedade».

"Os portugueses estão cansados de ouvir o Governo a decidir sem ouvir a economia e depois a economia a dizer que o dinheiro que o Governo gastou não tem nenhum impacto positivo para a competitividade", afirmou.