O Banco de Portugal garantiu a 25 de julho, em comunicado, que a almofada de capital do BES era suficiente para acomodar as perdas com créditos problemáticos ao Grupo Espírito Santo.

Porém, 3 dias antes já a CMVM e o auditor externo KPMG tinham informado o BdP sobre a existência de imparidades adicionais que causariam um novo buraco de 1,2 mil milhões, apurou o Diário Económico.

A KPMG informou os reguladores da existência de imparidades, ainda por quantificar, a 22 de julho. Os valores preliminares foram apresentados ao BdP no dia 25 e confirmados em 2 reuniões que tiveram lugar a 28 de julho.

Ora a 25 de julho o BdP informou que o BES tinha uma almofada de capital apropriada.E sustenta que só no dia 30 soube das imparidades adicionais que levaram às perdas históricas de 3,5 mil milhões no primeiro semestre do ano.

O esquema foi descoberto pela KPMG a partir de 11 de julho, dia em que o BES começou a recomprar as obrigações. Face à recusa do banco em identificar as verdadeiras contrapartes daquelas emissões, o auditor ameaçou não assinar as contas semestrais. Os responsáveis do departamento financeiro do banco terão admitido que se tratava de uma forma camuflada de financiar o GES, alegadamente com contornos criminais.

A informação foi de seguida transmitida à CMVM e ao BdP, ainda antes do fecho das contas do semestre.