O grupo Jerónimo Martins vais investir 100 milhões de euros este ano em Portugal, sendo que metade deste investimento será dirigido para o novo centro de distribuição no Norte do país, disse esta quinta-feira o presidente do Conselho de Administração.

«Vamos investir 500 a 550 milhões de euros durante este ano nos nossos negócios, dos quais 100 milhões de euros serão gastos nos nossos investimentos em Portugal», afirmou Pedro Soares dos Santos, na conferência de apresentação dos resultados do grupo de 2014.

O presidente do grupo que detém o Pingo Doce adiantou que «50% do investimento é no novo armazém do Norte e os outros 50% nas lojas» que a empresa prevê abrir este ano, que serão cerca de 10.

No ano passado, ao grupo abriu cinco novas lojas, um novo centro de distribuição no Algarve, mas não conseguiu abrir o centro de distribuição do Norte.

«A burocracia da legislação impediu-nos (aquela abertura), senão não teríamos investido 55 milhões de euros, teríamos investido perto de 100 milhões de euros em 2014, vamos esperar que em 2015" seja possível concretizar, disse.

Questionado sobre qual era a sua expectativa em relação ao armazém do Norte, Pedro Soares dos Santos recordou que a lei do ambiente mudou e o Governo tinha um ano para se pronunciar sobre a lei.

«E nós estivemos à espera um ano, recebemos a licença em dezembro, salvo erro. Agora vamos começar as obras em março, são 16 meses que vamos precisar», explicou.

«Só não consigo perceber porque se demora um ano para se dar uma licença ambiental quando tudo está feito», lamentou o gestor.

No ano passado, o lucro da Jerónimo Martins caiu 21,1%, face a 2013, para 302 milhões de euros, as vendas consolidas subiram 7,2% para 12.680 milhões de euros e o resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) recuou 5,6% para 733 milhões de euros.

«Em Portugal a deflação foi forte, na Polónia, a par de haver deflação, houve um grande embargo à Rússia pela União Europeia e os excedentes que a Polónia produziu fizeram forçar uma baixa de preços no mercado», comentou Pedro Soares dos Santos.

«Com isto não podemos esquecer que a energia subiu, a energia e eletricidade, principalmente em Portugal, os custos da mão de obra também subiram», prosseguiu, apontando que o ambiente onde a empresa operou «se não era inflacionário era estável, mas havia sempre uma pequena tendência de deflação ou de forte deflação».

Isso acabou por criar «muita pressão nas operações e na rentabilidade de uma companhia como a nossa», acrescentou.

A Jerónimo Martins está presente em Portugal, Polónia e na Colômbia.

«A deflação ensinou-nos a gerir de uma forma diferente, com uma sensibilidade completamente diferente, com uma visão e determinação diferentes, estamos muito mais bem preparados para enfrentar em 2015 do que estávamos quando entrámos no ano 2014», salientou Pedro Soares dos Santos.

O gestor sublinhou que «não é indiferente à forma como» o grupo atinge os resultados.

«O resultado puro e duro não está no nosso ADN, o que está no nosso ADN é a cadeia de valor toda em que estão envolvidos os fornecedores, as pessoas que aqui trabalham, as pessoas que vão beneficiar de todo este trabalho e o nosso papel na sociedade», salientou.

Durante a conferência, Pedro Soares dos Santos defendeu a necessidade de combater o desperdício e apresentou uma série de iniciativas de responsabilidade social que o grupo desenvolve nos vários mercados onde está presente.