Uma equipa tripartida composta por especialistas do Banco de Portugal, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e da Deloitte arrancou com uma auditoria forense às contas do Banco Espírito Santo (BES) há dois dias.

«A auditoria forense começou há dois dias a trabalhar dentro do BES», avançou à Lusa uma fonte ligada à investigação, que pediu para não ser identificada.

A equipa tripartida reúne especialistas do supervisor bancário e do supervisor do mercado, bem como da auditora Deloitte.

«É uma equipa grande de especialistas das três entidades, incluindo, técnicos informáticos», revelou a mesma fonte.

Os peritos vão passar a pente fino todas as matérias relacionadas com a gestão de carteiras, com a gestão de patrimónios, com as contas e com a comercialização de instrumentos financeiros, adiantou à Lusa a referida fonte.

A 24 de julho, a Lusa noticiou que o Banco de Portugal e a CMVM iam avançar com uma auditoria conjunta sobre as atividades desenvolvidas pelo BES e outra entidade do grupo, segundo um documento confidencial a que teve acesso.

«Está prevista uma colaboração entre a CMVM e o Banco de Portugal na definição de uma auditoria a solicitar às atividades desenvolvidas pelo BES [Banco Espírito Santo] e por uma outra entidade do mesmo grupo», segundo o documento.

Esta informação consta da resposta por escrito da entidade liderada por Carlos Tavares a um pedido de informações da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), na qual o líder da CMVM foi ouvido devido à situação no Grupo Espírito Santo (GES), do qual o BES é o principal ativo.

Logo no início dos trabalhos, o presidente da CMVM entregou aos deputados dos vários grupos parlamentares alguma documentação, pedindo que a mesma ficasse reservada, dado conter dados sensíveis.

No final da audição de Carlos Tavares, a agência Lusa teve acesso ao documento que revelava estar a ser preparada uma auditoria conjunta sobre a atividade do BES, a par de outra instituição do GES, que não está identificada.

Esta matéria não foi tratada verbalmente durante a audição de Carlos Tavares na comissão, até porque a mesma foi pública.

Dias antes, já o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, tinha dito aos deputados, também numa audição relacionada com os problemas do GES, que ia ser iniciada uma auditoria forense, sem revelar que a mesma envolveria os esforços conjuntos com a CMVM e a Deloitte.

Na madrugada desta quinta-feira, em reação aos resultados do BES (que registou o maior prejuízo de sempre num semestre em Portugal, cifrado em 3,6 mil milhões de euros), o Banco de Portugal revelou em comunicado que factos recentemente descobertos no BES apontam para a «prática de atos de gestão gravemente prejudiciais» e admite consequências contraordenacionais e até criminais para a ex-equipa de gestão liderada por Ricardo Salgado.

A entidade liderada por Carlos Costa referiu que a auditoria forense que já está em curso vai permitir «avaliar responsabilidades individuais».