A ministra das Finanças nomeou Issuf Ahmad para o Conselho Fiscal do Banif, banco em que o Estado é acionista maioritário, segundo o despacho publicado hoje em Diário da República.

Issuf Ahmad vai suceder a Rogério Pereira Rodrigues, que pediu para sair, depois de ter assumido o cargo de representante do Estado no Conselho Fiscal do Banif no ano passado.

«Exonero, a seu pedido, das funções de representante do Estado nomeado para o Conselho Fiscal do Banif - Banco Internacional do Funchal, S. A. o dr. Rogério Pereira Rodrigues. (...) Nesta oportunidade, quero agradecer a dedicação e lealdade com que o dr. Rogério Pereira Rodrigues desempenhou as suas funções», lê-se no despacho hoje publicado, assinado por Maria Luís Albuquerque e datado de 16 de abril.

Em substituição, a governante nomeia Issuf Ahmad, que é licenciado em economia e tem feito carreira na administração pública, sobretudo na área de finanças e impostos, tendo sido ainda Diretor-Geral do Património e presidente da comissão de fiscalização da CP ¿ Comboios de Portugal.

«O representante ora nomeado não está sujeito a regime de exclusividade, não podendo contudo exercer funções remuneradas em instituições concorrentes», diz o despacho, que refere ainda que Issuf Ahmad tem direito a pedir ao Banif toda a informação que achar necessária e que terá a mesma remuneração do presidente do órgão de fiscalização, a qual é paga pelo banco.

Em janeiro do ano passado, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif, ficando como acionista maioritário, sendo que 700 milhões foram em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas «CoCo bonds», pelas quais o banco paga um juro anual que começa a 9,5%.

Em troca, o Estado ficou com o direito de nomear um administrador não executivo para o Banif, cargo atribuído a António Varela (ex-administrador da Cimpor), e um membro para o Conselho Fiscal, cargo que agora assumirá Issuf Ahmad.

Já o Banif ficou obrigado a fazer pagamentos regulares ao Estado para recomprar parte das «CoCo», tendo já devolvido 275 milhões de euros, e a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros junto de investidores privados, com o objetivo de reduzir a participação estatal para 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto.

Até ao momento, o Banif arrecadou 311,4 milhões de euros em quatro aumentos de capital, detendo o Estado português 68,8% do banco, faltando o restante para sair do controlo público.

Em abril, o banco anunciou que quer ir buscar os restantes 138 milhões de euros ao público em geral através de uma oferta pública de subscrição de ações (a 1 cêntimo cada uma).

No ano passado, o Banif teve um prejuízo de 470,3 milhões de euros, naquele que foi o terceiro ano consecutivo de resultados negativos, ainda assim menos 19,5% do que as perdas de 584,2 milhões de euros de 2012. A instituição está num processo de reestruturação.