O número de insolvências em Portugal caiu 10% em 2013, em termos homólogos, para 6.030, com o setor da construção a liderar o maior número de registos, representando 26% do total, segundo um estudo anual da Cosec.

O estudo «Cosec Insolvências 2013» frisa que a construção continua a ser o setor mais relevante na análise global de insolvências, mas mesmo assim, adianta, registou um abrandamento de 17%, para 1.539 casos, face ao número de insolvências verificadas em 2012.

Os serviços surgem em segundo lugar, com 1.153 casos, representando 19% do total, tendo sido o único setor a registar crescimento face a 2012 (14%), com enfoque para o subsetor da restauração e hotelaria, que representa a maior fatia de insolvências.

Em terceiro lugar, destaca-se o retalho, com um total de 1.035 registos de insolvências, representando 17% do total (-5% do que em igual período de 2012).

O maior número de insolvências continua a ocorrer nos distritos de Lisboa, com 1.392, mais 2% face ao ano anterior(correspondentes a 23% do total). Logo depois surge o Porto, com 1.369, representando menos 14%, em termos homólogos (23% do total), seguido por Braga, com 647 ocorrências, ou seja, com menos 22% que em 2012 (11% do total).

O distrito que regista menor número de insolvências é o de Portalegre, com apenas 33 registos, menos 33% que no período homólogo anterior.

O estudo indica ainda que 67% das empresas insolventes são microempresas, das quais 26% nos setores de construção, 23% nos serviços e 16% no retalho. Já a categoria de empresário em nome individual (ENI) representou no ano passado 10% do número de insolvências em Portugal.

«O ano de 2013 confirmou as nossas expectativas de melhoria do indicador, após um longo período de agravamento consecutivo do número de insolvências de empresas. Muitas foram as empresas nacionais que conseguiram encontrar formas de ultrapassar as adversidades e alcançar sucesso além-fronteiras», frisa a administradora da COSEC, Berta Dias da Cunha, em comunicado.

O estudo regista ainda a entrada de 1.021 processos especiais de revitalização (PER), em 2013, ano em que o número de processos cresceu substancialmente em comparação com os dados de 2012.

Considerando apenas o último trimestre do ano, diz o estudo, verifica-se que há mais 27% de empresas a integrar o PER, face a igual período homólogo.

Do total de empresas que integraram o PER, 24% tiveram homologação do plano de revitalização, 16% estão em situação de regime de insolvência confirmada por declaração do tribunal, 7% regressaram ao giro comercial sem acordo do plano e 53% estão a aguardar resposta de decisão.

Os setores que registaram maior número de pedidos de acesso ao PER são os mesmos que registam as maiores insolvências confirmadas, ou seja, construção (314 empresas em PER), serviços (175 empresas em PER) e retalho (119 empresas em PER).