A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) afirma que nos últimos seis meses foram destruídos quase 53.000 postos de trabalho no setor, o que representa uma quebra acumulada de 17,5% nos últimos dois trimestres.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou na quarta-feira que a taxa de desemprego aumentou 0,2 pontos percentuais em cadeia no primeiro trimestre deste ano face ao anterior, fixando-se nos 13,7%. Nesse trimestre, a taxa de desemprego já havia registado um acréscimo trimestral de 0,4 pontos percentuais.

Depois desta divulgação, a AHRESP solicitou ao INE os números relativos ao setor e verificou que, depois de no último trimestre do ano passado terem sido destruídos cerca de 29.400 postos de trabalho, também no primeiro trimestre deste ano houve uma nova queda, e semelhante, nos postos de trabalho.

“Estimávamos que o nosso setor ia cair de novo neste primeiro trimestre do ano. E caiu. Para 249.100 postos de trabalho. Ou seja, uma destruição de 52.900 postos de trabalho, 17,5% do total da força de trabalho da restauração e da hotelaria entre o terceiro trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2015. Estamos a falar de seis meses de catástrofe total”, disse à agência Lusa o diretor da AHRESP, José Manuel Esteves.


Para a associação que representa o setor, “a carga fiscal”, nomeadamente no que diz respeito ao Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) na restauração, que aumentou de 13% para 23% em 2012, é a principal causa para que as empresas do setor não consigam manter os postos de trabalho.

“O IVA, que no fundo não é um imposto sobre as empresas, é sobre o consumo, não o podemos repercutir nos nossos preços de venda porque não há poder de compra (...) Não aumentando os preços de venda estamos a dispensar força de trabalho, enquanto não fechamos a porta”, disse o diretor da associação.


José Manuel Esteves mostrou-se ainda satisfeito com o facto de a oposição apresentar propostas para a redução do IVA na restauração: “Felizmente já há alguns partidos políticos a anunciarem que [ela] é fundamental, não só pelas questões do emprego, mas também para a sobrevivência de um setor de forte empregabilidade”.

Segundo a AHRESP, a taxa de IVA em Portugal é a mais elevada da zona euro, considerando que “o aumento de 77% do IVA em 2012 [de 13% para 23%] colocou Portugal muito acima da média da União Monetária e Financeira – que é de 13,6% - retirando competitividade ao país, face a outros como a Holanda (6%), a Irlanda (9%), Espanha (10%), França (10%), Itália (10%) e Grécia (13%)”.

A AHRESP alerta que sem trabalhadores “não é possível garantir a qualidade de serviço ao setor do turismo” e que “sem turismo a economia nacional não cresce”, apontando que sem a hotelaria e a restauração o contributo do turismo para o Produto Interno Nacional (PIB) “descia de 10% para 5,6%”.