O encerramento de unidades hoteleiras em época baixa é «cada vez maior» no Algarve e as medidas adotadas pelo Governo para combater a sazonalidade têm ficado aquém do ambicionado para empresários e sindicatos, disseram fontes do setor do turismo.

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, disse à agência Lusa que o encerramento de unidades durante o inverno «é uma tendência que se tem vindo a verificar de uma forma cada vez mais acentuada nos últimos anos» e «também este ano».

Elidérico Viegas constatou que «não há mais unidades abertas do que em anos anteriores, antes pelo contrário», e considerou que a região e os agentes do setor não têm «sido capazes até hoje de esbater a maior fragilidade e fraqueza do turismo do Algarve, que é a sazonalidade».

O dirigente da AHETA fez uma avaliação positiva de medidas anunciadas pelo Governo para combater a sazonalidade e evitar o aumento da taxa de desemprego em época baixa, como a medida Formação Algarve, que visa incentivar a formação aos funcionários durante esse período de menor atividade para as empresas, mas foi crítico da sua execução.

«A ideia é positiva, [mas] a medida fica aquém do que é desejável. E daí que as expectativas em torno da medida não se tenham concretizado, nem no ano passado, nem se vão confirmar este ano», afirmou, frisando que o Estado «dá com uma mão e tira com a outra» quando «subsidia a formação em época baixa, mas obriga as empresas a pagar impostos sobre os próprios subsídios que atribui».

Tiago Jacinto, do Sindicato da Hotelaria do Algarve, também disse à Lusa que «no terreno há mais unidades encerradas de ano para ano» e «nesta altura do ano há uma série de unidades hoteleiras que estão encerradas».

O dirigente sindical e o presidente da AHETA disseram desconhecer a existência de dados sobre unidades encerradas por falta de números oficiais e Tiago Jacinto referiu que as tentativas de levantamento são dificultadas «porque há unidades que encerram numa altura e outras noutra».

Tiago Jacinto observou que durante os períodos de encerramento há unidades em que «os trabalhadores vão de férias compulsivamente», enquanto noutros casos são «feitos contratos precários» e «acordos [de rescisão] com funcionários mais antigos».

António Goulart, da União de Sindicatos do Algarve, reafirmou que «é recorrente o encerramento» de hotéis no inverno «há meia dúzia de anos» e considerou que as medidas que o Governo tem tomado sobre combate à sazonalidade, como o programa Formação Algarve, «não têm tido qualquer efeito».

«Olho para esta medida como mais uma daquelas medidas desgarradas que se anunciam e se sabe logo que muito poucos ou nenhuns efeitos vai ter, porque toda a estrutura da medida em si está errada», afirmou António Goulart, argumentando que é «isolada» e tem um «volume financeiro disponível curto».

«As condições não são boas e sabia-se à partida que a medida não iria produzir efeitos palpáveis», disse.