O presidente executivo da TAP elogiou o profissionalismo dos trabalhadores em funções durante a greve e acredita que depois da paralisação os danos causados na credibilidade da empresa poderão ser contidos e será recuperada a confiança dos clientes.

Numa carta dirigida aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso, Fernando Pinto reconhece "o enorme esforço e profissionalismo" demonstrados ao longo dos sete dias de greve, quer pelos pilotos que "têm viabilizado diariamente a maior parte da operação" da companhia, quer por todo o pessoal envolvido nas diversas atividades.

"É um reconhecimento importante para todos nós na empresa, tornando possível acreditar que, uma vez estabilizada a atual situação, poderemos olhar para o ‘day after’ [dia seguinte] ainda com alguma esperança de que os danos causados na imagem e credibilidade da nossa companhia possam ser contidos, de modo a podermos restabelecer, com razoável rapidez, a normalidade das nossas operações, e, pouco a pouco, reconquistarmos a confiança dos nossos clientes", lê-se no documento.


Fernando Pinto menciona ainda que com "este esforço de controlo de danos" em que a empresa e os trabalhadores estão empenhados "a necessária restruturação da empresa, a ter de ser levada a cabo, poderá talvez ser encarada de forma um pouco menos exigente, minorando os sacrifícios necessários".

Na carta, o gestor da transportadora aérea diz que a empresa e os trabalhadores estão a trabalhar em conjunto para "assegurar quanto possível a manutenção e funcionamento das operações, garantindo, em condições naturalmente muito exigentes e complexas, o melhor encaminhamento possível dos passageiros".


Fernando Pinto reforça ainda o quão "tem sido importante e indispensável a contribuição da maioria desses trabalhadores", destacando que, "por força desse trabalho e de um enorme sentido de responsabilidade", se têm evitado "maiores perdas e prejuízos" para a TAP, e procurado "atenuar, na medida do possível, todos os transtornos e inconvenientes trazidos à vida” dos clientes.

"Se é verdade que vários passageiros se manifestam através da comunicação social zangados com a TAP, muitos outros há que se mostram reconhecidos pelos esforços que temos feito para honrar o compromisso que temos com eles, levando-os ao seu destino", afirma.


A TAP vive hoje o sétimo dia de greve dos pilotos, prevendo realizar 70% dos cerca de 300 voos programados.

Na quarta-feira à noite, o ministro da Economia anunciou que nos primeiros seis dias de greve realizaram-se 70% dos voos programados e foram transportadas 80% das pessoas com viagens marcadas para aqueles dias.

O ministro afirmou que em cinco dias de greve a empresa teve um “prejuízo de 17 milhões de euros” e estimou que, a manter-se a situação, o prejuízo final chegue aos 35 milhões de euros.

Os pilotos convocaram uma greve, para o período entre 01 e 10 de maio, por considerarem que o Governo não está a cumprir o acordo assinado em dezembro de 2014, nem um outro, estabelecido em 1999, que lhes dava direito a uma participação de até 20 por cento no capital da empresa no âmbito da privatização.