O Secretário de Estado Adjunto e da Economia salientou esta quarta-feira que é preciso resolver «rapidamente o problema dos vistos» norte-americanos, após uma reunião com empresários sobre a parceria comercial que está a ser negociada entre União Europeia e os EUA.

Leonardo Mathias apontou exemplos de empresas que «têm bom negócio nos EUA», como a Portucel ou o grupo Amorim que tem quatro fábricas norte-americanas, afirmando que um dos aspetos que mais preocupa os empresários é o tema dos vistos.

«Quando se tem uma empresa nos EUA tem de se ter pessoas e para se ter pessoas tem de se ter os vistos. É uma barreira inacreditável e impensável em 2014, com as boas relações políticas, diplomáticas, culturais e de negócios que temos com os Estados Unidos e que temos de rapidamente resolver», sublinhou o secretário de Estado.

«Não podemos ter empresas portuguesas nos Estados Unidos e que não possam ter lá os seus colaboradores», sejam eles portugueses ou de outros países europeus, acrescentou.

O objetivo da reunião desta quarta-feira, onde esteve também presente o Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, foi ouvir as preocupações dos responsáveis de 30 grandes empresas do PSI Geral e outras exportadoras para o mercado norte-americano, antes da quarta ronda negocial sobre a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento União Europeia¿Estados Unidos da América, que decorre entre 10 e 14 de Março, em Bruxelas.

Leonardo Mathias adiantou que Portugal dará particular interesse ao setor industrial e agrícola, já que setores como o leite, o vestuário, as conservas e as bebidas enfrentam barreiras tarifárias, mas pretende também a eliminação de barreiras não tarifárias, que correspondem a 80% dos ganhos potenciais associados à redução de burocracia.

Em cima da mesa estão também questões relacionadas com requisitos regulamentares e direitos de propriedade intelectual e aprovação de patentes.

Bruno Maçães admitiu que as negociações serão difíceis «politicamente, porque há interesses diferentes e, nalguns casos interesses opostos», mas também tecnicamente.

«Tudo isto vai demorar o seu tempo e é agora claro que não vamos ter o acordo finalizado no fim de 2014», referiu o mesmo responsável, apontando a conclusão da parceria para meados de 2015.

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus assinalou ainda que este não é um acordo que se limita às tarifas, sendo «extraordinariamente ambicioso» a nível da harmonização regulatória que pretende atingir entre os dois blocos.

Entre 2010 e 2012, dez mil empresas portuguesas exportaram para os Estados Unidos, mas apenas 1150 exportaram todos os anos nos últimos três anos, segundo dados do Governo.

Os Estados Unidos da América ocupam, atualmente, o sexto lugar no ranking das exportações portuguesas, representando 4,6% das exportações e sendo o segundo mercado extracomunitário mais relevante em termos comerciais, logo a seguir a Angola.

No ano de 2013, as empresas portuguesas de bens e serviços, exportaram 3,178 mil milhões de euros para o mercado norte-americano, mais 9,5% do que no ano anterior o que se traduziu num acréscimo de vendas superior a 274 milhões de euros.

Os Estados Unidos da América têm um PIB de 15,712 biliões de dólares, cerca de 77 vezes o PIB português.