O Sindicato da Construção de Portugal acusou esta sexta-feira o Governo de «não olhar a meios para atingir os seus objetivos de austeridade», limitando-se a fazer «remendos» na via-férrea, congelando a reabilitação urbana e retirando meios às autoridades de fiscalização.

Em conferência de imprensa no Porto, o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, alertou que esta atuação tem vindo a deteriorar a situação vivida no setor da construção civil, onde «milhares de trabalhadores continuam a recorrer ao banco alimentar e a entregar as casas ao banco», escreve a Lusa.

«A situação que vivem os trabalhadores no setor é de grande medo que terminem as obras onde estão e deixem de ter trabalho», afirmou, salientando que «muitos não têm direito ao fundo de desemprego», numa «triste realidade [que] é transversal desde os operários menos qualificados até aos quadros superiores».

Segundo o sindicato, «há grandes empresas que estão há muito tempo a aguentar muitos trabalhadores em casa a pagar-lhes o salário na expectativa de que a reabilitação urbana, a requalificação da via-férrea e a retoma do parque escolar se tornem uma realidade».

Contudo, diz, «o Governo não olha a meios para atingir os seus objetivos de austeridade» e estes projetos continuam sem avançar.

De acordo com Albano Ribeiro, «tudo indica que este Governo não está preocupado com os acidentes que podem ocorrer, de grande dimensão, provocados pelo descarrilamento de comboios», já que existem ainda «carris que estão assentes em travessas de madeira», limitando-se a REFER «a fazer remendos substituindo algumas travessas de madeira por betão».

Por outro lado, o dirigente sindical acusa o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações de «mentir» quando, em audiência com o sindicato, há um ano, «disse que a reabilitação urbana era importante e iria avançar até abril de 2013».

«Tudo mentira», afirma Albano Ribeiro, assegurando que «se o que ele disse avançasse, milhares de trabalhadores não seriam forçados a entregar as suas casas aos bancos, a recorrer ao banco alimentar e a aumentar o número dos sem-abrigo».

Também devido aos «cortes impostos pelo Governo», o Sindicato da Construção garante que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) «deixou de ter meios quer humanos, quer financeiros, para exercer a sua ação e intervenção de fiscalização».

Segundo o dirigente sindical, devido a esta situação está em atraso o pagamento pela ACT de uma tranche de 26 mil euros destinada a apoiar iniciativas do sindicato ao nível da qualificação e segurança no trabalho, no âmbito de protocolos «que sempre foram cumpridos pelos anteriores governos» e que têm permitido a redução dos acidentes mortais no setor.

Debaixo das críticas do sindicalista está ainda o recém-empossado presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que «disse, durante a campanha eleitoral, que a reabilitação urbana era muito importante», mas, «passadas as eleições», remeteu para a «assessora» o pedido de audiência feito pelo sindicato.

«Ou já se esqueceu daquilo que disse na campanha ou então não quer que a cidade do Porto seja o exemplo a seguir em todo o país na criação de postos de trabalho», sustenta Albano Ribeiro, assegurando que a reabilitação urbana na cidade do Porto garantiria a criação de «mais de 30 mil postos de trabalho».