O ministro do Ambiente disse hoje que a grande divergência no processo de privatização da EGF é que o governo defende os interesses dos consumidores e alguns municípios valores regionais.

«A grande divergência é que governo defende consumidores e alguns municípios defendem interesses territoriais», afirmou Jorge Moreira da Silva, que está hoje de manhã a ser ouvido na comissão parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local.

O ministro voltou a garantir que está assegurada a descida de tarifas em 20%, em média, e o cumprimento de metas ambientais.

A privatização da Empresa de Gestão e Fomento (EGF), do grupo Águas de Portugal, está a decorrer e foram apresentadas sete candidaturas, mas tem a discordância dos municípios.

Este assunto tem sido alvo de declarações de todos os partidos, com a oposição a criticar a opção do ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, alertando para vários pontos como a evolução das tarifas.

O deputado Pedro Farmhouse, do PS, mostrou preocupação com a situação e considerou que «um dos principais ativos do grupo Águas de Portugal está a ser vendido ao desbarato e com prejuízo para o consumidor».

Para Luis Fazenda, do Bloco de Esqueda, a privatização «é uma opção claramente contra os municípios».

Manuel Tiago, do PCP, frisou que, se todos municípios estão a defender os interesses regionais, «todos somados dão o interesse nacional» e questionou o ministro acerca de quem está realmente a defender o interesse do país.

O deputado do PS também criticou a inatividade do ministro dizendo que «encontrou um Ministério em fase de liquidação, mas, um ano depois, os mesmos serviços estão estagnados».

O ministro do Ambiente recordou que a EGF necessita de realizar investimentos de 350 milhões de euros até 2015, mais de 600 milhões de euros até 2030 e que as infraestruturas vão voltar aos municípios em 2034, quando termina o contrato de concessão.