A Galp inaugura na quarta-feira a Enerfuel, primeira fábrica em Portugal que produz biodiesel de matérias-primas classificadas como resíduos ou detritos, entre eles óleos usados e gorduras animais, num investimento total de 8,5 milhões de euros.

«Privilegiarmos a utilização de óleos usados e gorduras animais», disse à Lusa Hugo Pereira, diretor da unidade de biocombustíveis da gasolineira, em declarações no final de uma visita guiada às instalações da unidade, situada na refinaria de Sines.

Nascida também com o intuito de «dinamizar» o tecido empresarial local, a unidade levou à criação de 50 postos de trabalho «diretos e indiretos», sendo que «a operação em si» engloba 16 pessoas, «jovens da região na maioria», declarou Hugo Pereira.

A Enerfuel terá uma capacidade de produção de 27 mil toneladas de biodiesel por ano, embora tal valor apenas se vá cumprir a partir de 2014.

Este ano a produção total será de cerca de 10 mil toneladas, até porque «vamos já a meio do ano» e o «sistema de quotas» limita a produção de biocombustíveis, combustíveis de origem biológica não fóssil.

O projeto da Enerfuel pretende dar também um contributo para a redução de 6% das emissões de gases com efeito de estufa até 2020, bem como para o cumprimento das metas de substituição de energia renovável nos transportes em Portugal.

No ano passado, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para estimular o desenvolvimento de biocombustíveis alternativos e que prevê a limitação a 5%, até 2020, da utilização de biocombustíveis obtidos a partir de produtos alimentares no setor dos transportes.

«Com a expansão do mercado dos biocombustíveis, foi-se tornando claro que nem todos os biocombustíveis são iguais no que toca a impactos em termos de gases com efeito de estufa à escala mundial», afirmou o executivo comunitário em comunicado, acrescentando que, segundo estudos recentes, «alguns biocombustíveis podem contribuir tanto para as emissões de gases com efeito de estufa como os combustíveis fósseis que substituem».