A petrolífera portuguesa Galp Energia assinou hoje no Rio de Janeiro os contratos de concessão para exploração de petróleo no Brasil adquiridos durante a 11ª ronda de licitações realizada pelo Governo brasileiro, em maio deste ano.

A partir da assinatura do contrato, a empresa iniciará, em conjunto com os seus parceiros, o início dos trabalhos preliminares de avaliação, que devem durar cerca de quatro anos, escreve a Lusa.

«Teremos a partir de agora quatro anos para explorar, o que significa fazer sísmica em duas ou três dimensões e posteriormente fazer perfurações, conforme o compromisso assumido nos contratos», disse à imprensa o administrador executivo da Galp, Ferreira de Oliveira, à margem do evento.

Os blocos em questão estão situados nas bacias de Parnaíba, Barreirinhas e Potiguar, e serão explorados pela Galp em consórcios formados com a brasileira Petrobras e o britânico BG Group.

Na bacia do Parnaíba, localizada no nordeste brasileiro, foram arrematados quatro blocos, todos em parceria de 50%-50% com a Petrobras. Os quatro blocos estão localizados em terra (onshore, no jargão petrolífero), sendo a Galp responsável pela operação de dois.

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Formigli Filho, afirmou que a companhia brasileira está muito satisfeita com a parceria com a Galp e elogiou sua equipa técnica e a agilidade com que os trabalhos são negociados e fechados.

«Tem sido extremamente importante para nós [Petrobras] a contribuição técnica da Galp, as análises econômicas e as decisões tomadas, que sempre são feitas de uma forma extremamente alinhada, e os projetos implantados de uma forma ultrarrápida», acrescentou.

Já na bacia de Barreirinhas, na costa do estado do Maranhão, foram arrematados três blocos em águas ultra profundas e um em águas rasas. A Galp tem participação de 10 por cento em cada um dos empreendimentos, que possui o BG Group como operador.

A última aquisição está localizada na Bacia de Potiguar, no Rio Grande do Norte, no qual a Galp possui 20 por cento de participação, em um consórcio divido com a Petrobras e o BG Group.

Os blocos em questão foram arrematados em leilão realizado em maio deste ano pela Agência Nacional de Petróleo do Brasil (ANP) e deverão começar a produzir, caso a fase exploratória seja bem sucedida, num horizonte de dez anos.

Atualmente, a Galp possui mais de 50 empreendimentos em carteira, dos quais 20 estão no Brasil, sem considerar os nove blocos recém-adquiridos.

Ferreira de Oliveira reforçou a visão estratégica no Brasil e voltou a afirmar que a empresa está a estudar a possibilidade de participar também na próxima rodada de licitações, prevista para outubro deste ano.

«A Galp Energia estuda todas as oportunidades, em particular no Brasil, em outubro vai ocorrer uma licitação do bloco de Libra e estamos a estudar isso. Se concorremos ou não, só na altura podemos decidir», afirmou.

A produção total de petróleo e gás da Galp no primeiro trimestre deste ano chegou a 23,5 mil barris de óleo equivalente por dia (mboepd), sendo a produção no Brasil responsável por cerca de 60 por cento desse volume.

A meta da empresa é aumentar dez vezes a sua produção atual, atingindo o volume de 300 mil barris de óleo equivalente por dia, em 2020.