O BES e a Ongoing, os dois maiores acionistas da PT, apoiam a fusão com a Oi, refere a PT em comunicado.

Os dois acionistas são inclusivamnete signatários do memorando de entendimento que, a concretizar-se, levará à criação da CorpCo.

Ricardo Salgado, presidente do BES, diz que a fusão «é o culminar de uma estratégia em que o grupo BES (BES e BESI) esteve, e continuará, fortemente envolvido».

A operação «irá determinar a criação de uma grande empresa multinacional de língua portuguesa», a CorpCo, acrescenta o banqueiro numa reação enviada às redações.

Sublinhando que o presidente executivo da CorpCo «será um português: Zeinal Bava», Ricardo Salgado defende ainda que a nova parceria «irá contribuir para o reforço das relações Portugal/Brasil e para o desenvolvimento económico dos dois países, garantindo o centro de decisão partilhado entre acionistas brasileiros e portugueses».

«É, sobretudo, uma operação que rasga novos horizontes para Portugal. A partir de agora, a PT, em conjunto com a Oi, criam um player global com considerável potencial de desenvolvimento no mercado mundial e associa o know how português a uma maior capacidade de investimento no mercado internacional», escreve.

De acordo com a lista proposta para o primeiro mandato de três anos dos órgãos sociais da CorpCo, Amílcar Morais Pires e José Maria Ricciardi, do BES, farão parte da administração.

Já da Ongoing, terão assento no conselho Nuno Vasconcellos e Rafael Mora.

«É com enorme satisfação que vejo ser anunciada uma operação que concretiza uma visão em que acreditamos e na qual participámos», disse o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, sublinhando que as duas empresas, «juntas, têm o conhecimento e a dimensão para serem um player no mercado global».

Numa reação à Lusa, o presidente executivo da Ongoing, segundo maior acionista da PT, com 10,05% do capital, diz que está a ser criado «o maior operador de telecomunicações de língua portuguesa, com mais de 100 milhões de clientes, em quatro continentes».

«Teremos uma operação mais eficiente, uma empresa financeiramente mais forte, com uma estrutura acionista coesa e ambiciosa. Isto e uma equipa de gestão de imenso valor, permite-nos enfrentar os desafios que se colocam a um player global», reforçou.

«Sempre defendi que o caminho do crescimento passa pela internacionalização, pelo Brasil, e que é vantajoso que esse processo se faça pela consolidação no mercado mundial da língua portuguesa. Esta operação comprova-o. Não é um epílogo, mas sim o início de um caminho», rematou.

Também dois acionistas de referência da Oi, Octávio Azevedo e Pedro Jereissati, elogiaram o projeto de fusão.

«A criação desta nova empresa é mais um passo na direção de se criar uma grande empresa multinacional de telecomunicações com ambição global», afirmou Pedro Jereissati, responsável da participada da Oi La Fonte (LF) numa nota à Lusa.

«A AG [Andrade Gutierrez] e LF estão comprometidas com este projeto e participarão nesta construção, demonstrando a sua confiança nas perspetivas futuras da nova companhia», acrescentou.

Segundo Pedro Jereissati, os atuais acionistas que controlam a Oi consideram que a fusão e criação de uma nova entidade «resultará numa empresa listada no novo mercado [bolsa brasileira], fortalece a nova empresa e reforça o alinhamento entre todos os acionistas, viabilizando uma estrutura de capital que permita à nova companhia ter uma ambição global».

Também o responsável da AG elogiou o projeto, afirmando que a aliança entre a PT e a Oi permitiu «um conhecimento profundo da realidade das duas companhias e da excelente qualidade e profissionalismo das suas equipas», o que permitiu avançar para um processo de fusão «de forma segura e confiante».

O presidente da Portugal Telecom e presidente executivo da Oi - que ficará à frente da nova empresa -, Zeinal Bava, recebeu «total confiança» de Octávio Azevedo para liderar o processo.