Os mais de duzentos credores da Fundição de Dois Portos, em Torres Vedras, decidiram encerrar em definitivo a fábrica e liquidar os bens, deixando no desemprego uma centena de trabalhadores, avança a Lusa.

Na assembleia de credores que decorreu no tribunal da comarca, os 223 credores aprovaram por unanimidade, com duas abstenções, a proposta do administrador de insolvência, que optou por não avançar com qualquer plano de recuperação da empresa, disse à agência estatal fonte ligada ao processo.

«Não houve qualquer interessado na exploração do negócio e os equipamentos estão obsoletos e desatualizados» o que dificulta o aparecimento de novos investidores, justificou Jorge Calvete no relatório, a que a Lusa teve acesso.

Entre as causas da insolvência estão a deterioração da rentabilidade económica, o investimento de 16 milhões de euros na nova fábrica, a crise de liquidez, o avolumar das dívidas dos clientes e problemas de tesouraria, que levaram à paragem da laboração em março.

A 05 de abril, data da última reunião da comissão de credores, já tinha sido votado o encerramento da fábrica, a entrega dos moldes aos clientes e o pedido de insolvência de outras duas empresas, a Sanoeste e a Valvotor, detidas pela mesma administração, segundo a ata a que a Lusa teve acesso.

Desde essa data, foram também suspensos os contratos aos cem trabalhadores da Fundição de Dois Portos que, a partir de hoje, estão no desemprego e vão recorrer ao Fundo de Garantia Salarial para reaver parte dos seus créditos.

De acordo com documentação do administrador de insolvência, a que a Lusa teve acesso, a Fundição possui mais de duas centenas de credores e dívidas de 23 milhões de euros.

Destes, cerca de cem são trabalhadores, a quem vão ser pagos créditos no valor de dois milhões de euros referentes a indemnizações por despedimento e salários e subsídios de férias e de natal em atraso.

A Caixa Geral de Depósitos, que financiou o investimento da nova fábrica que estava em construção até meados de 2012 na periferia da cidade de Torres Vedras, é o principal credor, com uma dívida de 11,5 milhões de euros a reaver.

O administrador de insolvência vai efetuar a liquidação dos bens, oito terrenos rústicos e mais dois terrenos urbanos da atual fábrica, cujo valor se desconhece e que vai reverter para a massa falida.

A mesma fonte disse à Lusa que o valor dos ativos é insuficiente para pagar a todos os credores.

A Fundição de Dois Portos, fundada há 65 anos, faturou 5,2 milhões de euros em 2011 e 50% da sua produção foi dirigida à exportação, sobretudo para França, Suíça e Norte de África, tendo mais 1,2 milhões de euros na carteira de encomendas.

Contudo, fechou o ano passado com um resultado negativo de quase um milhão de euros e um passivo de 16 milhões de euros.