A Fosun International, que assegurou a compra de 80% das seguradoras da Caixa Geral de Depósitos (CGD), vai investir na internacionalização da atividade da companhia, com o foco especialmente apontado aos países lusófonos, segundo o presidente Guo Guangchang.

«A Fosun vai integrar mais recursos para impulsionar a competitividade da Fidelidade num mercado expandido. Por um lado, vamos facilitar a sua cooperação e sinergias com outras empresas seguradoras da Fosun (...) em termos de tecnologia, produtos e canais para alcançar um rápido desenvolvimento do negócio em todo o mundo, especialmente, nos países e regiões de língua portuguesa», garantiu o presidente da Fosun, escreve a Lusa.

O responsável falava durante a cerimónia de assinatura do contrato de venda da Caixa Seguros, no Ministério das Finanças, em Lisboa, tendo acrescentado que a empresa chinesa vai usar a sua capacidade de investimento estratégico para otimizar o portefólio de investimento de forma a aumentar o retorno do investimento para a empresa.

«Vamos considerar as oportunidades de investimento pela Europa e nos mercados globais enquanto alargamos o espectro do nosso negócio e diversificamos os nossos investimentos o máximo possível para reduzir o risco sistémico da concentração geográfica», sublinhou.

Guo Guangchang salientou que uma «cooperação estável e de longo prazo é a base essencial para criar uma situação win-win [vencedora]» para as empresas portuguesa e chinesa.

«Estamos plenamente confiantes na atual equipa de gestão da Fidelidade e estamos comprometidos em manter a estabilidade da atual estratégia de negócio», revelou o responsável chinês acerca da estrutura de topo liderada por Jorge Magalhães Correia.

O presidente da Fosun disse ainda que considera que a companhia chinesa pode tornar-se um «ponto de ligação importante na troca ou integração cultural e económica entre a China e Portugal».

E realçou: «Temos agora mais equipas atentas às oportunidades de investimento em Portugal. No futuro, vou encorajar mais empresários a virem para cá e convidar empresários portugueses de sucesso para a China para que nos possamos entender uns com os outros melhor e atingir um desenvolvimento melhor e mais rápido ao mesmo tempo».

Foi formalizado esta manhã o contrato de compra e venda de 80% do capital da Caixa Seguros, por mil milhões de euros, uma privatização que foi aprovada em janeiro e que permite que o banco estatal se mantenha como acionista de referência nas empresas alienadas.

A conclusão definitiva do negócio será feita durante os «próximos meses», conforme indicou hoje, na cerimónia, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.

O valor do encaixe total para a CGD vai ainda aumentar, para 1.264 milhões de euros, devido à Oferta Pública de Venda (OPV) de uma fatia suplementar de 5%, destinada aos trabalhadores da área seguradora do banco público, que beneficiarão de um desconto de 5%, a que se soma a distribuição extraordinária de capital das empresas seguradoras envolvidas, feita ainda em 2013.

Caso as ações destinadas aos trabalhadores não sejam totalmente subscritas, a Fosun assegura a compra do capital remanescente, pelo que poderá aumentar a sua posição no banco público para 85%.