A chinesa Fosun que assegurou a compra da Caixa Seguros e pretende expandir a atividade da companhia para os mercados asiáticos e africanos, revelou quinta-feira o secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues, depois de ser anunciado o desfecho desta operação.

O governante falava durante a conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, durante o qual foi selecionada a proposta da Fosun International Limited para adquirir ao Estado português 80% do capital das seguradoras do Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) por uma verba de mil milhões de euros.

O grupo chinês bateu a concorrência que vinha dos EUA, através da Apollo Management International, já que do lote de 66 potenciais investidores identificados numa primeira fase pelo Governo, e depois de 26 deles terem mostrado interesse na operação, apenas a Fosun e a Apollo foram até ao fim e apresentaram propostas de compra vinculativas.

Manuel Rodrigues apontou para a forte ligação da Fosun ao setor segurador como um dos trunfos que os chineses apresentaram nesta corrida pela privatização da CGD.

E anunciou que a Fosun pretende apostar no crescimento da Caixa Seguros na Ásia e em África, especificando que será reforçada a sua presença no mercado chinês.

O secretário de Estado realçou ainda as fortes disponibilidades financeiras apresentadas pelo grupo chinês, baseadas em fundos próprios, que ascenderam a 150% do montante em causa, isto é, a 1.500 milhões de euros em dinheiro, como fator que o executivo teve em atenção no momento da decisão sobre as duas ofertas que estavam em cima da mesa.

Também os pareceres «unânimes» dos assessores da privatização e o parecer favorável da comissão de acompanhamento pesaram na decisão, esclareceu.

Além da «minimização das condicionantes jurídicas e unidade do grupo», referiu Manuel Rodrigues.

Segundo o responsável, estavam em carteira «duas boas ofertas, uma melhor do que a outra», tendo sido escolhida a Fosun, que «é um dos maiores grupos económicos chineses», além de estar ligada à seguradora norte-americana Prudential e ao Banco Mundial.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da Fosun escusou-se a tecer, para já, qualquer comentário sobre o negócio, até porque a empresa chinesa está cotada na bolsa de Hong Kong e tem regras rígidas a cumprir.

Pelo lado da CGD, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), no qual dá conta da decisão governamental, é explicado que «o encaixe total desta operação ascende a cerca de 1.208,9 milhões de euros».

«Está prevista a assinatura dos respetivos documentos contratuais no prazo de cerca de 30 dias, ficando a concretização da referida venda sujeita a condições precedentes usuais», lê-se no comunicado da CGD.

Além do contrato de venda direta de referência, prevê-se, entre outros documentos instrumentais da operação, «a celebração de acordo parassocial relativo a cada uma das sociedades e de um acordo de bancassurance entre a CGD e a Fidelidade», informou o banco público.

Na prática, este acordo de bancassurance assegura que a distribuição dos produtos e serviços seguradores da Fidelidade continue a ser feito através do canal bancário da CGD.

O banco liderado por José de Matos revelou ainda que, neste processo, a CGD contou como assessores financeiros o Caixa Banco de Investimento e a JP Morgan.

A Caixa Seguros inclui as seguradoras Fidelidade, Multicare e Cares, e é líder de mercado destacada em Portugal com um quota na ordem dos 30%.