O setor cervejeiro português tem resistido à crise «através da exportação», mas é necessário baixar o IVA da restauração para dinamizar o negócio, defendeu o secretário-geral da Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja (APPC) em declarações à Lusa.

Francisco Gírio falava a propósito do dia internacional da cerveja, que se comemora na primeira sexta-feira de agosto, como é o caso de hoje.

O setor cervejeiro português exporta cerca de 40% da sua produção total de cerveja, a que corresponde um valor de cerca de 300 milhões de euros, alcançando, no caso de Angola, o primeiro lugar no ranking dos exportadores para aquele mercado.

Questionado sobre como tem resistido o setor à crise em Portugal, o secretário-geral explicou que isso tem sido feito «através da exportação».

Este «é um caminho natural para as nossas empresas e é quase um caminho de sustentabilidade, na medida em que o mercado interno tem vindo a diminuir desde, praticamente, a década de 90», mas «acentuou-se nos últimos dois anos devido à crise económica».

Francisco Gírio disse que a associação espera que «nos próximos anos possa existir uma inflexão nesses valores, com uma ligeira subida».

No entanto, «a exportação não é a solução vital. Existem limites e não é possível manter a sustentabilidade apenas através da exportação».

Por isso, «é muito importante para o setor a inversão das políticas públicas relacionadas com o consumo fora de casa, nomeadamente o urgente regresso do IVA da restauração aos 13%», sublinhou.

A 30 de julho último, o Governo anunciou o adiamento para final de agosto da apresentação das conclusões da avaliação do regime fiscal aplicável aos setores da hotelaria e restauração.

Segundo as estimativas da associação, o canal HoReCa (Hotéis, Restaurantes e Cafés) foi responsável por 67,5% do consumo no ano passado, abaixo dos 69% registados nos dois anos anteriores, enquanto o segmento de consumo em casa aumentou o peso para 32,5%.

Sobre as expectativas da APPC sobre o desempenho do setor este verão, Francisco Gírio disse que estas são «apreensivas», não só por causa da tendência da diminuição do consumo que se tem vindo a sentir, como consequência da austeridade, como «também pelo início tardio do verão».

O responsável acrescentou que os resultados vão depender do período entre julho e setembro.

O peso do verão nas vendas de cerveja em Portugal «é bastante significativo», com o período entre maio e setembro a representarem cerca de 70% do consumo.

«Se o verão continuar quente, é provável que haja uma ligeira recuperação nas vendas», face a 2012, concluiu.

De acordo com a associação, o saldo da balança comercial (diferença entre importações e exportações) no setor «é de 1 para 30, totalizando as exportações um volume de 320 milhões de litros».

Portugal ocupa o sétimo lugar na classificação europeia enquanto país exportador de cerveja, em termos relativos, medido em função da percentagem exportada relativa à produção do total do país.

Segundo a APPC, o setor cervejeiro incorpora no seu processo de fabrico mais de 80% de matérias-primas (cevada para malte) e embalagens (vidro) de origem portuguesa.

No ano passado, o setor cervejeiro consumiu 78 mil toneladas de malte produzido em Portugal.

Responsável por cerca de 72 mil postos de trabalho diretos e indiretos, o setor representa um valor acrescentado para o produto interno bruto (PIB) de 1,1 mil milhões de euros e gera receitas fiscais de 984 milhões de euros, anualmente, de acordo com um estudo da consultora Ernst&Young, divulgado em 2011.