O ex-presidente do Metro do Porto Ricardo Fonseca admitiu esta terça-feira que a empresa assinou vários contratos swap durante o seu mandato, justificando-os com a necessidade de respeitar compromissos assumidos.

O ex-presidente falava na comissão parlamentar de inquérito aos swap contratados por empresas públicas, onde está a ser ouvido.

Segundo Ricardo Fonseca, que esteve à frente do Metro do Porto entre 26 de março de 2008 e 15 de julho de 2012, em julho de 2008 o Conselho de Administração aprovou por unanimidade um empréstimo de 100 milhões de euros, cita a Lusa.

Em 2009, foi também aprovado um outro empréstimo de 180 milhões de euros e até 2012 foram realizadas duas novas operações de financiamento: 75 milhões de euros ao Deutsch Bank e 50 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos.

Sublinhando ser necessário enquadrar a situação da empresa na altura, Ricardo Fonseca disse que o Metro do Porto estava com problemas financeiros e tinha uma dívida acumulada na ordem dos três mil milhões de euros.

«É também importante vermos como estava estabelecido o financiamento do projeto [do metro do Porto]: essencialmente comportado por empréstimos. Nunca foi ajustado em função da execução do projeto, o que criou constantes necessidades de financiamento. Os sucessivos governos autorizaram investimentos adicionais como a duplicação linhas, construção da linha do aeroporto, a linha de Gondomar, reforço frota material circulante e aquisição de estudos e projetos para a segunda fase metro do Porto», acrescentou.

«Todas estas decisões representam o somatório de encargos de largos milhões de euros», disse ainda Ricardo Fonseca.

Além disso, o ex-presidente registou-se também na altura uma redução da taxa de comparticipação dos fundos comunitários.

Ricardo Fonseca concluiu a sua intervenção, frisando aos deputados que na «génese desta dependência [bancária] está a realização de investimentos de largos milhões de euros pelos sucessivos governos».

O responsável disse ainda acreditar que o Governo estava a par desses contratos feitos pelo Metro do Porto.

O Metro de Lisboa e o Metro do Porto foram as empresas públicas que contrataram algumas das operações consideradas mais problemáticas.

O Metro de Lisboa contabilizava 66 contratos desta natureza, que representavam no final de setembro do ano passado perdas potenciais de 1,4 mil milhões de euros de um total de 3,3 mil milhões de euros para o universo de empresas do Estado.

O Metro do Porto era a segunda empresa pública com maiores riscos, totalizando a sua carteira de instrumentos financeiros 1,06 mil milhões de euros de perdas potenciais a 28 de setembro de 2012.

As duas empresas totalizavam então perdas potenciais de quase 2,5 mil milhões de euros, ou seja, 75% do valor de mercado das operações de derivados das entidades públicas.