Documentos apreendidos na casa do ex-diretor da petrolífera brasileira Petrobras Paulo Roberto Costa indicam que este usava de influência política para cobrar taxas exorbitantes por serviços prestados pela sua consultoria, divulgou esta segunda-feira a imprensa brasileira, escreve a Lusa.

Os documentos em questão foram apreendidos pela Polícia Federal brasileira (PF) e mostram que a consultoria mantida pelo ex-diretor, a Costa Global, cobrava valores «fora de mercado» que podiam chegar a 50 por cento dos contratos.

A empresa de Costa possui centenas de contratos fechados com fornecedoras da Petrobras, incluindo grandes construtoras como a Camargo e Corrêa, segundo informa hoje o diário «O Globo».

Entre o material apreendido, a polícia encontrou ainda uma agenda na qual constam registos de pagamentos feitos «por fora», incluindo transferências a partidos políticos, entre eles o Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no governo.

Paulo Roberto Costa abriu a consultoria Costa Global após aposentar-se do seu cargo na petrolífera, respeitando, segundo o seu advogado, o período de quarentena exigido pela legislação brasileira.

Sua defesa alega ainda que as taxas anotadas nos contratos representariam um valor de 50% de 5%, totalizando em um recebimento de 7,5% em cima do valor dos contratos.

Em um dos documentos, no entanto, há a especificação de que os 50% seriam cobrados em relação a tudo que excedesse 110 milhões de reais (36 milhões de euros), conforme mostrou o programa «Fantástico» na noite de domingo (madrugada de hoje em Lisboa).

Paulo Roberto Costa está preso em Curitiba, no sul do Brasil, desde o dia 20 de março, quando foi apanhado em flagrante pela polícia tentando esconder os documentos que foram solicitados para a investigação.

O caso foi descoberto a partir de uma operação contra branqueamento de dinheiro, originalmente em busca do «doleiro» (pessoa que vende e compra dólares ilegalmente) Alberto Youssef, preso no mês passado.

Desde que surgiram as notícias relacionadas com suspeitas com contratos da Petrobras vieram à tona, os parlamentares de oposição ao governo tentam abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a petrolífera.

A previsão é de que a decisão sobre a CPI saia ainda esta semana.