A West Sea comprou esta segunda-feira em leilão, por 93.500 euros, um guindaste de 466 toneladas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), cujos terrenos e infraestruturas também transitaram para a subconcessionária daquela empresa pública.

Apresentaram-se a esta venda 14 concorrentes, na generalidade empresas ligada à gestão de resíduos e sucatas, com propostas de compra entre os 7.500 euros e os 83.500 euros.

A melhor proposta foi apresentada pela empresa West Sea, criada pela Martifer para gerir a subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC.

Ao fim de quatro lances, cada um de 2.500 euros, a venda do guindaste K7 foi fechada à West Sea por 93.500 euros, que manteve a melhor proposta no final do leilão.

Contudo, a administração dos ENVC tem até 14 de março para decidir se adjudica a venda pelo preço final proposto.

A Câmara de Viana do Castelo informou anteriormente que não avançou com qualquer proposta de aquisição deste guindaste por estar a ser negociada outra solução para a operação da Enercon.

A autarquia anunciou a 27 de fevereiro que iria apresentar uma proposta da compra por estar a ser «confrontada com as grandes dificuldades» da multinacional alemã Enercon ao nível de meios de elevação que permitam a exportação de componentes eólicos por via marítima.

As propostas no âmbito deste leilão podiam ter sido apresentadas até à passada sexta-feira mas a autarquia acabou por não avançar, com o socialista José Maria Costa a alegar ter recebido «informações» de que está a ser «tratada» uma solução para este problema entre o Ministério da Defesa Nacional, o novo subconcessionário dos estaleiros - West Sea - e a administração do porto de Viana do Castelo.

«Este processo serviu para colocar as diversas entidades a dialogar e a encontrar soluções que beneficiem a Enercon e a West Sea», explicou no domingo, à Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Castelo.

A Enercon, que funciona em terrenos subconcessionados pelos ENVC, onde precisamente este guindaste está instalado, não tem meios de elevação próprios, situação que a empresa admite estar a dificultar a «logística de exportação» de componentes produzidos nas cinco fábricas que o grupo alemão instalou em Viana do Castelo.

A falta de meios de elevação no cais da Enercon (norte), recorda o município, obrigou a empresa alemã, na última semana de fevereiro, a efetuar 140 transportes rodoviários pelo interior da área urbana para a margem sul, onde está instalado o porto comercial, referentes a uma carga de exportação de 360 toneladas.

A autarquia defende que o guindaste em causa poderá servir aquela que é hoje a maior exportadora do distrito, com um volume de 200 milhões de euros em 2013 e que emprega diretamente 1.400 trabalhadores, para «permitir a utilização do porto da margem direita do rio Lima».

Os terrenos e infraestruturas dos ENVC foram subconcessionados ao grupo Martifer até 31 de março de 2031, através da nova empresa West Sea.

Todos os bens móveis dos estaleiros - segundo a administração mais de 20 mil itens - estão fora do concurso da subconcessão e terão de ser vendidos em concurso público no âmbito do processo de liquidação em curso.