O presidente da West Sea, Carlos Martins, acertou esta segunda-feira com a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) a posse dos terrenos e infraestruturas daquela empresa pública a partir de 01 de maio.

A informação foi confirmada à Lusa pelo próprio Carlos Martins, que reuniu hoje em Viana do Castelo, pela primeira vez, o conselho de administração daquela empresa, criada pelo grupo Martifer para gerir a subconcessão dos ENVC, até março de 2031.

«Hoje é o primeiro dia da West Sea em Viana do Castelo e acertamos com a administração dos ENVC que este processo da transferência e da posse do espaço ficará concluído até 30 de abril. Ou seja, a ideia é a partir de 01 de maio nós estarmos a trabalhar em full, com a totalidade das infraestruturas dos estaleiros nas nossas mãos», disse à Lusa o administrador da subconcessionária e líder do grupo Martifer.

Até 30 de abril a administração dos estaleiros ainda terá de concluir a venda de vário material móvel da empresa - cerca de 20 mil itens - que ficou fora do concurso da subconcessão. Esse processo será assegurado por cerca de 40 trabalhadores dos ENVC, que, à semelhança dos restantes cerca de 550, aceitaram as rescisões amigáveis dos contratos mas continuam ao serviço, sendo por isso os últimos a saírem da empresa pública.

Ainda de acordo com Carlos Martins, a prioridade de recrutamento imediata pela West Sea prende-se com a área da reparação naval, que poderá avançar depois de maio. A empresa está a avançar com a contratação desde já de 60 trabalhadores para este setor, nomeadamente entre os antigos funcionários dos ENVC.

O recrutamento dos restantes, tendo em conta o «compromisso» da empresa de chegar aos 400 postos de trabalho criados em Viana do Castelo, «vai acontecendo ao longo do tempo», dependendo das encomendas.

«Mas vamos começar [o restante recrutamento] de imediato, obviamente a ouvir as pessoas e a tentar que aquelas que efetivamente nós queremos recrutar saibam que as queremos recrutar e até definindo com elas um programa de entrada ao trabalho», enfatizou Carlos Martins.

O prazo para a concretização deste recrutamento, explicou o líder do grupo Martifer, está sobretudo dependente do desfecho da decisão sobre o local da construção de dois navios asfalteiros para a Venezuela, encomendados aos ENVC em 2011 por 128 milhões de euros.

A West Sea diz-se «disponível» para «participar» nessa construção, admitindo Carlos Martins que se isso acontecer «mais rapidamente» poderá a empresa chegar aos 400 postos de trabalho.

Isto porque a parte comercial da área da construção naval da West Sea só começará a ser «trabalhada» a partir de maio, esperando a empresa, entretanto, para «tentar perceber o desfecho» do processo dos asfalteiros, cujo contrato vai transitar para a holding pública Empordef.

«Mas esperamos, durante o próximo ano, ter o estaleiro em pleno», garantiu Carlos Martins.

Além da construção e da reparação naval, o projeto da West Sea para os estaleiros de Viana, que estão em processo de liquidação, está «muito voltado» para o mercado da prospeção de gás offshore.

«Esperamos que Viana do Castelo seja um centro da indústria naval em Portugal, uma referência. Mais do que isso, que seja uma alavanca para desenvolver outras atividades relacionadas com a indústria do mar», rematou Carlos Martins.