O concurso público internacional para a venda do ferryboat "Atlântida", encomendado e rejeitado pelos Açores, vai ser lançado na próxima semana, sem valor base, disse à Lusa fonte da administração dos Estaleiros de Viana.

De acordo com a mesma fonte, o caderno de encargos deste concurso, que terá como único critério a melhor proposta financeira, está concluído e prevê que o procedimento decorra durante um mês, a partir da próxima semana.

Findo esse prazo, os candidatos que apresentarem as três melhores propostas financeiras serão convidados pelo júri do concurso a melhorar a oferta, antes da decisão final.

Contudo, a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) reserva a possibilidade de não aceitar propostas que não considere vantajosas, indicou a mesma fonte.

Concluído desde maio de 2009, o navio está avaliado em 29 milhões de euros no relatório e contas dos ENVC de 2012, quando deveria ter rendido quase 50 milhões de euros.

No entanto, as propostas já recebidas pela administração dos estaleiros apontam para um valor de mercado que deverá rondar, agora, os 20 milhões de euros, disse a mesma fonte.

Em declarações recentes à Lusa, o presidente da Empordef afirmou que o processo que envolveu a rejeição, pelo Governo dos Açores, da encomenda de dois ferryboats aos ENVC, representou a «certidão de óbito» da empresa, que se encontra em processo de liquidação e subconcessão.

«Desde dezembro de 2009 passou-se a viver numa situação desesperada e só graças a fundos públicos é que ela [a empresa] se sustentou até meados de 2011», apontou na ocasião Rui Vicente Ferreira.

O administrador da Empresa Portuguesa de Defesa (Empordef), que detém a totalidade do capital social dos estaleiros, referia-se à encomenda dos navios "Atlântida", concluído, e do "Anticiclone", em blocos, que foi rejeitada pela empresa pública dos Açores Atlânticoline, alegando incumprimento contratual, nomeadamente na velocidade máxima do primeiro.

Conforme o acordo de dezembro de 2009, os ENVC ficaram com os dois navios, devolvendo as verbas que já tinham sido pagas pela empresa pública de transportes marítimos Atlânticoline (Açores).

Segundo Vicente Ferreira, os ENVC estavam já nessa altura numa situação de «dívidas gigantescas» e, com esse acordo, levavam «uma machadada de 70 milhões de euros».