Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) encaixaram hoje cerca de 250 mil euros com o leilão de mais de uma centena e meia de equipamentos de metalomecânica da empresa pública.

A venda, no âmbito do encerramento da empresa e subconcessão dos terrenos e infraestruturas ao grupo Martifer, foi feita à empresa Júlio Rodrigues Lda., de Gondomar, que apresentou a melhor oferta, de 256,50 euros por tonelada para todos os lotes em concurso.

Em causa estavam 169 equipamentos das oficinas de módulos, de corte e de blocos dos ENVC, com um peso global que poderá chegar a cerca de mil toneladas.

Dos cerca de 20 concursos de venda promovidos pelos estaleiros, este foi o maior encaixe financeiro já registado, apesar de apenas ter contado com duas propostas concorrentes.

Já o segundo leilão do dia, para a venda de 110 equipamentos do navio Anticiclone, um dos dois ferryboats encomendados aos ENVC pelo Governo dos Açores e rejeitado em 2009 quando já estava em construção, recebeu apenas duas propostas para parte das 30 referências.

Foram indicados valores entre os 256 e os 300 euros por cada referência, apresentados por uma empresa de sucata e por um ex-trabalhador dos estaleiros.

São propostas «muito abaixo» do real valor deste material, indicou à Lusa fonte da empresa, admitindo que, contrariamente ao que aconteceu até agora nos vários leilões realizados, estas não sejam consideradas pela administração dos ENVC, dando lugar a novo leilão.

Entre o material do Anticiclone à venda contavam-se equipamentos de comunicação, geradores, grupos de eletrobombas, um bote de serviço, quatro baleeiras e até sete motores, entre outro material.

A rescisão do contrato pelos Açores, em 2009 representou um prejuízo superior a 70 milhões de euros para a ENVC, segundo contas da administração da empresa pública.

Estes leilões de material dos estaleiros têm vindo a realizar-se desde março. Contudo, grande parte destes não recebeu qualquer proposta, devendo ser retomados nos próximos dias, após revisão dos valores base pedidos.

A administração dos ENVC espera concluir nas próximas semanas a venda de vário material móvel da empresa que ficou fora do concurso da subconcessão.

Esse processo está a ser assegurado por cerca de 40 trabalhadores dos ENVC que, à semelhança dos restantes cerca de 550, aceitaram as rescisões amigáveis dos contratos mas continuam ao serviço, sendo por isso os últimos a saírem da empresa pública.

A West Sea, criada pelo grupo Martifer, quer assumir a subconcessão dos ENVC em maio, já com uma carteira de encomendas de reparação e construção naval definida, disse à Lusa fonte oficial da empresa.