As três empresas na corrida à compra do «Atlântida», navio que o Governo dos Açores encomendou aos estaleiros de Viana e depois rejeitou, não melhoraram as ofertas iniciais, anunciou à Lusa fonte da administração da empresa pública.

«Tendo terminado hoje o prazo para os Concorrentes melhorarem as respetivas propostas, o júri do concurso constatou que não foram apresentadas novas propostas de preço, pelo que se considera que os concorrentes mantêm o preço constante das propostas iniciais», lê-se no comunicado do júri que preside ao concurso público internacional a que a Lusa teve acesso.

Neste contexto, acrescenta o documento, «o júri vai elaborar um relatório preliminar, o qual será notificado durante a próxima semana a todos os concorrentes para, querendo, se pronunciarem por escrito sobre o seu teor, no prazo de 5 dias úteis».

Ao concurso lançado pela administração dos ENVC a 11 de março concorreram três empresas. A Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos), o consórcio M. D. Roelofs Beheer BV e Chevalier Floatels BV (empresas holandesas representadas por um grupo espanhol) e os gregos da Thesarco Shipping.

A melhor é a dos gregos, ronda os 13 milhões de euros. Já a proposta da Douro Azul ronda os oito milhões e a dos holandeses quatro milhões.

Já anteriormente a fonte dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) tinha anunciado à Lusa que o caderno de encargos da venda deste navio tem como único critério a melhor proposta financeira.

Inicialmente, com base no pressuposto de que os três candidatos iriam melhorar as suas ofertas iniciais a fonte dos ENVC tinha avançado a próxima semana como prazo para a elaboração do relatório preliminar do júri presidido por um elemento da Inspeção-Geral de Finanças.

Como esse cenário não se confirmou, o júri, composto ainda por um elemento da Direção-Geral do Tesouro e Finanças e outro da Direção-Geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa (MDN) antecipou a decisão preliminar.

De acordo com procedimento, explicou à Lusa a fonte dos ENVC, os três concorrentes dispõem de cinco dias úteis para se pronunciarem. Findo este prazo e «caso não haja reclamações», explicou a mesma fonte, o júri, terá que elaborar o relatório final em cinco dias úteis.

Comunicará então a decisão à administração dos ENVC, a quem cabe a última palavra, ao que tudo indica «antes do final deste mês».

«Se os prazos forem interrompidos por causa de reclamações, a previsão de conclusão do processo até final do mês poderá ser dilatada», adiantou, anteriormente, a fonte dos ENVC.

O navio foi construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), por encomenda do Governo dos Açores, que depois o rejeitaria em 2009 devido a um nó de diferença na velocidade máxima contratada.

Concluído desde maio desse ano, o «Atlântida» está avaliado em 29 milhões de euros no relatório e contas dos ENVC de 2012, quando deveria ter rendido quase 50 milhões de euros.

Os ENVC estão em processo de liquidação, tendo os terrenos e infraestruturas sido subconcessionadas ao grupo privado Martifer, que criou para o efeito a West Sea. A nova empresa tomou posse no passado dia 02 de maio.