O Estado controla agora 64,368% dos direitos de voto do Banif, anunciou o banco em comunicado. A terceira redução da participação estatal foi possível porque o Banif conseguiu colocar esta semana 40,7 milhões de euros junto de um grupo de 16 investidores privados.

O Estado, recorde-se, ficou inicialmente com 99% do banco quando injetou dinheiro na instituição para ajudar à sua capitalização, mas tinha já reduzido para 68% dos direitos de voto quando o banco realizou dois aumentos de capital, de 100 milhões de euros cada. O primeiro foi uma operação subscrita pelos seus principais acionistas (75 milhões de euros pela holding Rentipar, através da Açoreana Seguros, e 25 milhões de euros pelo grupo Auto-Industrial) e o segundo uma Operação Pública de Subscrição (OPS).

«Na sequência destas operações de aumento de capital, num montante total de 240,7 milhões de euros, o Estado português passou a deter uma participação de 73,964% do capital social do Banif, correspondente a 64,368% dos direitos de voto», refere o comunicado do banco.

O Banif recebeu do Estado 1.100 milhões de euros (700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, chamados «CoCo bonds»). Em contrapartida, o banco comprometia-se a aumentar o seu capital em 450 milhões de euros até junho, para que o controlo do banco regressasse às mãos dos investidores privados, e comprometeu-se a devolver ao Estado 150 milhões de euros do financiamento público.

Ambas as contrapartidas estão atrasadas. O banco tem ainda de aumentar capital em mais de 209 milhões. Quando conseguir completar o aumento de 450 milhões de euros, o Estado verá a sua participação reduzida para 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto.

Relativamente ao reembolso de 150 milhões de euros que o banco tinha de pagar ao Estado até final de junho, a instituição refere que este montante será pago de forma «tão célere quanto possível». O presidente do Banif, Jorge Tomé, já referiu publicamente que o banco tem liquidez para pagar este dinheiro e que só falta um parecer do Banco de Portugal para o fazer.