O conselho de administração da Espírito Santo Saúde considera que a Oferta Pública de Aquisição (OPA) anunciada pelo Grupo Ángeles «é aceitável», embora possa não refletir totalmente «o valor potencial e intrínseco da ESS no longo prazo»

A informação consta do relatório sobre a OPA voluntária anunciada pelo grupo mexicano, divulgado esta terça-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

A administração lembra que a ESS é maioritariamente detida por sociedades do Grupo Espírito Santo, estando «atualmente numa situação de indefinição relativamente ao futuro dos seus acionistas de controlo» e afirma que a conclusão com sucesso da oferta «afigura-se um meio para a obtenção da necessária estabilidade acionista» da empresa portuguesa.

O sucesso da OPA permitirá, lê-se no relatório, que a ESS possa retomar a sua gestão estratégica de médio e longo prazo, «através da continuação do desenvolvimento dos seus planos de expansão já anunciado», bem como a «normalização da relação com os vários stakeholders, em particular o regresso sem restrições ao mercado financeiro».

A ESS considera também que a conclusão bem-sucedida da OPA «não implicará um movimento de concentração de empresas», uma vez que não vai alterar «o atual cenário de liberdade de escolha dos trabalhadores e clientes/pacientes», assegurando a «manutenção do equilíbrio atual do mercado ao nível das seguradoras / sistemas de saúde / pagadores e dos fornecedores e Estado».

A administração da ESS salienta também que esta OPA não teria qualquer impacto no mercado das parcerias público-privadas atuais. «O Estado manteria a sua exposição a diferentes modelos de gestão, permitindo aferir as melhores práticas e promovendo a inovação, bem como assegurar a sua capacidade de negociação ao longo

do contrato. De facto, os quatro hospitais geridos em regime de parceria público-privada continuariam a ser geridos por três operadores privados».

Segundo o relatório, dos 12 administradores da ESS que detêm ações da empresa, 11 mostraram intenção de aceitar a oferta do Grupo Ángeles, tendo um, José Manuel Caeiro Pulido, afirmado ter uma «decisão ainda pendente».

O relatório divulgado foi «favoravelmente aprovado» na reunião do conselho de administração realizada na segunda-feira, tendo todos os administradores presentes votado a favor, à exceção de João Carlos Pellon Parreira Rodrigues Pena, que se absteve alegando o facto de ser presidente executivo da Rioforte Investments, que está sujeita a gestão controlada no Luxemburgo.

A 19 de agosto, o Grupo Ángeles anunciou o lançamento de uma OPA voluntária sobre o capital da ESS, oferecendo 4,30 euros por cada ação.

A ESS é dona, entre outros ativos, do Hospital da Luz, em Lisboa, e gere, em regime de Parceria Público-Privada, o Hospital de Loures.

A ESS é atualmente detida maioritariamente pela Rioforte, empresa do GES que, a pedido da própria, se encontra sob gestão controlada pelo Tribunal do Comércio do Luxemburgo desde o dia 29 de julho de 2014.