A EGEO, empresa que opera na área de resíduos, e a gestora de fundos de infraestruturas Antin anunciaram hoje a criação de um consórcio para concorrer à privatização da EGF (Empresa Geral do Fomento), devendo apresentar a sua candidatura na terça-feira.

A proposta será meramente indicativa e diz respeito à primeira fase do concurso de privatização, já que existem ainda algumas questões e informações que só ficarão disponíveis na segunda fase, admitiram os responsáveis pelo consórcio numa conferência de imprensa.

«Ainda estamos numa fase indicativa, ainda falta informação. Estamos a avançar com base numa série de pressupostos», adiantou Bernardo Sottomayor, um dos sócios da Antin.

Entre as questões que ainda suscitam dúvidas encontram-se a resolução dos litígios com os municípios e matérias relacionadas com o novo quadro regulatório que regulamenta as tarifas e os serviços de gestão dos resíduos urbanos.

O tarifário é uma das questões que está por definir, mas Bernardo Sottomayor acredita que a tendência não será de subida: «Temos aversão a quadros regulatórios que impliquem aumento de tarifas, acabam por gerar maus investimentos. A perspetiva é de manutenção ou redução das tarifas».

Filipe Serzedelo, presidente executivo da EGEO, empresa que opera na área de gestão de resíduos industriais e urbanos, adiantou, por seu turno, que o objetivo do agrupamento é fazer uma empresa com condições para se internacionalizar e que vai apresentar uma proposta «de verdadeira comunicação e bom senso com os municípios».

«Não pode haver uma EGF de um lado e, do outro, uma câmara», salientou.

A privatização da EGF foi lançada pelo Governo em março, mas conta com uma oposição firme por parte dos municípios que são parceiros dos 11 sistemas da sub-holding do grupo Águas de Portugal para os resíduos, tendo alguns deles avançado com ações judiciais para tentar travar o processo.

«Como é uma privatização delicada achámos importantíssimo ter um consórcio o mais forte possível», sublinhou Filipe Serzedelo, justificando assim a associação à Antin, a quem caberá a liderança financeira.

A EGEO será responsável pela liderança técnica, embora o esforço financeiro seja distribuído pelas duas empresas.

Este será o primeiro investimento da Antin em Portugal: «Somos especialistas em investimento em ativos que sejam regulados ou que operam em concessões de longo prazo. A EGF é um tipo de investimento que se adequa ao nosso perfil», destacou Bernardo Sottomayor.

Para o responsável da Antin será uma «simbiose muito perfeita» porque permite combinar o acesso aos mercados internacionais e a internacionalização da EGF com as competências técnicas da EGEO.

A proposta do agrupamento passa por desviar resíduos dos aterros e promover a reciclagem.

A EGEO, que pertenceu à francesa Veolia até 2005, é atualmente detida por quatro famílias ligadas à indústria: Oliveira (da Riopele), Masaveu Invetsimentos, Almeida Freitas e Estrela.

A empresa detém a licença dos CIRVER (Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos) e gere 300 mil toneladas de resíduos e 160 mil toneladas de recicláveis por ano.

A Antin gere concessões com ativos de mais de mil milhões de euros nos setores de energia, ambiente, transporte e telecomunicações.