A EDP não espera uma extensão da contribuição extraordinária ao setor energético em Portugal para além de 2015, afirmou hoje o presidente executivo da elétrica, António Mexia.

«Em 2015 era esperado, mas não incluímos isto em 2016 porque nos foi dito que não estaria lá. [A contribuição] foi estendida por um ano, mas não esperamos uma nova extensão porque não consideramos ser necessária», disse António Mexia durante o Dia do Investidor realizado hoje em Londres.

No primeiro trimestre, a EDP pagou 15 milhões de euros para a contribuição extraordinária aplicada ao setor energético em Portugal, criada no âmbito do Orçamento do Estado (OE) para 2014.

Mexia considerou que o resultado da EDP no primeiro trimestre deste ano mostra «resiliência, tendo em conta que é o primeiro com impacto das alterações regulatórias em Portugal e Espanha».

Em Espanha, a EDP Renováveis foi penalizada por alterações regulatórias que resultaram num encargo de 18 milhões de euros.

A EDP anunciou na terça-feira uma queda de 12% do lucro no primeiro trimestre deste ano, em relação ao período homólogo, para 296 milhões de euros, influenciado pelo ganho não recorrente de 56 milhões de euros no trimestre homólogo, com a venda de ativos de transporte de gás em Espanha.

Até março, o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do grupo decresceu 5%, para 1.030 milhões de euros, mas a empresa esclarece que, excluindo o ganho não recorrente, de 56 milhões de euros, realizado no período homólogo, este indicador teria permanecido estável.

Os custos operacionais do grupo caíram 4%, para 366 milhões de euros no primeiro trimestre, resultado da execução «bem-sucedida do programa de eficiência corporativa OPEX III, cujas metas foram antecipadas de 2015 para 2014, e por um corte de 1% no número de empregados, essencialmente suportado por pré-reformas em Portugal».

Já os outros custos operacionais líquidos aumentaram 47 milhões nos primeiros três meses do ano, para 86 milhões de euros, fruto da referida mais-valia e de menores impostos à geração em Espanha, resultado de menores volumes produzidos e de menores preços.

No mesmo período, o investimento líquido diminuiu 11%, ficando pelos 245 milhões de euros, sendo 162 milhões relativo a investimento em nova capacidade hídrica e eólica, adiantou a empresa.

Já a dívida líquida atingiu os 17,1 mil milhões de euros no final de março, em linha com o valor de dezembro de 2013.

«Quando as circunstâncias são adversas, é bom fazer uma boa gestão da energia e controlo de custos», vincou hoje Mexia.