O presidente executivo da PSA Peugeot Citroën, Carlos Tavares, afirma que os custos da energia elétrica em Portugal são 40% mais elevados do que em França e adianta que vai discutir o assunto com o secretário de Estado dos Transportes.

«Os custos da energia elétrica em Portugal são 40% mais elevados do que em França, o que é um fator de não competitividade. Tudo o que puder ser feito para melhorar essa competitividade em termos de energia vai ajudar a indústria automóvel e também as outras indústrias», disse hoje Carlos Tavares, que está de visita a Portugal.

No encontro com jornalistas, Carlos Tavares, que assumiu esta semana o cargo de presidente executivo da PSA Peugeot Cintroën, adiantou que vai abordar este tema no almoço de hoje com o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, e frisou que «os custos de energia para um país como Portugal têm que ser o mais baixo possível».

Outra questão a abordar, avançou, será sobre logística e a melhoria da infraestrutura ferroviária que facilite o escoamento dos automóveis da fábrica de Mangualde, para o Porto de Vigo, de onde são depois exportados.

«Gostaríamos de melhorar a nossa capacidade para exportar os automóveis fabricados em Mangualde, de maneira mais eficiente e mais ecológica», disse Carlos Tavares, sublinhando o potencial de melhoria dos custos.

Respondendo aos jornalistas sobre quais os planos do fabricante automóvel para o país, Carlos Tavares disse que apesar do crescimento que já verifica em Portugal, o mercado deve chegar aos 150 mil automóveis [vendidos] este ano, «se tudo correr bem».

«A indústria automóvel em Portugal só tem futuro se pudermos exportar. Não se faz muitos investimentos num mercado que representa 150 mil automóveis», disse o gestor, estimando que o mercado mundial de automóveis novos em 2020 vai ultrapassar os 100 milhões de unidades vendidas por ano.

Para aumentar as exportações, que representaram 95% da produção da fábrica de Mangualde em 2013, Carlos Tavares defendeu o aumento da competitividade em matéria de custos laborais.

«A nível europeu, os custos laborais [em Portugal] estão razoavelmente competitivos face à Europa de Leste, mas são duas vezes mais do que em relação a países como Marrocos», sublinhou.

Por outro lado, o responsável também considera necessário «dar às empresas a possibilidade de ir à procura de oportunidades» e salientou a este propósito que «quanto mais flexível for o mercado de trabalho, mais isso é possível, (...) mais as empresas poderão progredir e o país também».