Os CTT - Correios de Portugal lançaram esta segunda-feira uma nova linha de negócio, a intermediação de crédito, em parceria com o banco BNP Paribas Personal Finance (detentor da marca Cetelem), reforçando a aposta nos serviços financeiros.

«Este é um acordo muito significativo para os CTT, que têm na área financeira um dos pilares de crescimento», afirmou o presidente dos CTT, Francisco de Lacerda, na cerimónia de assinatura do acordo de parceria com a instituição francesa.

A diversificação das fontes de receita e o aumento dos lucros, a potenciação da rede de 623 lojas próprias e o valor da marca, e o lançamento de uma carteira de produtos «inovadora, competitiva, abrangente e geradora de valor», foram as razões apontadas pela gestão dos CTT para justificar esta aposta.

Na prática, os CTT passam a disponibilizar produtos de crédito ao consumo, desenhados e geridos pelo Cetelem, como é o caso do crédito pessoal e dos cartões de crédito.

«O crédito a particulares aumenta a responsabilidade de quem o vende, devido aos riscos existentes quer para quem concede crédito, quer para quem o recebe», salientou Lacerda, garantindo que o foco de ambas as entidades está na política de concessão de crédito responsável.

Esta nova linha de negócio dos CTT junta-se à área de poupança e seguros, onde a companhia intermediou já 3,6 mil milhões de euros, e na qual a entidade é a única a colocar dívida pública (certificados de aforro e do tesouro) no retalho, graças à parceria com a Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP). Conta ainda como parceiros estratégicos as seguradoras Fidelidade e Mapfre.

Outra unidade dentro da área financeira é o pagamento de serviços, tendo os CTT «a maior rede de pagamentos em numerário (faturas, impostos, carregamentos de telemóveis, entre outras ofertas) com 6.329 pontos de venda», segundo a empresa, que é uma entidade de pagamentos autorizada pelo Banco de Portugal, com 20 milhões de operações registadas correspondentes a um montante de 6,4 mil milhões de euros.

Aqui, os parceiros são a Autoridade Tributária e Aduaneira, a EDP, a MEO, a NOS e a Vodafone.

Finalmente, há a unidade das transferências, na qual os CTT assumem «uma posição de destaque nas transferências de dinheiro nacionais e internacionais, contando com acordos com a Western Union e o Eurogiro. Soma-se a área de pagamento de pensões e benefícios sociais (71,5 milhões de transações que ascendem a 6,6 mil milhões de euros), em parceria com a Segurança Social».

Os números do primeiro trimestre mostram que a área de serviços financeiros dos CTT obteve rendimentos operacionais de 16,2 milhões de euros (mais 19,9% do que no trimestre homólogo de 2013) e teve um peso próximo de 25% no EBITDA (lucro operacional).

A parceria entre os CTT e o Cetelem, que foi hoje representado pelo presidente do BNP Paribas Personal Finance, Serge Le Bolès, na área do crédito ao consumo conta com um período de exclusividade de cinco anos.