Os credores da agência de viagens Strawberry World, presentes esta segunda-feira na assembleia no Tribunal Judicial do Funchal, aprovaram o encerramento da sociedade, sobre a qual a Direção de Turismo da Madeira recebeu 170 queixas.

«Atendendo à situação atual da empresa, não tinha outra alternativa», disse à agência Lusa o administrador de insolvência, Emanuel Gamelas, considerando: «A imagem estava descredibilizada, era possível recuperá-la, mas tinha um custo superior ao criar uma imagem nova quase».

A sociedade, constituída em 2001, tinha como objeto principal a «intermediação, através de portal de Internet, de serviços de marcação de hotéis e viagens de turismo», o designado booking (reserva), refere o relatório do administrador.

No verão do ano passado foram tornadas públicas queixas de turistas contra a Strawberry World por incumprimento das suas obrigações para com clientes e hotéis por si contratados.

Segundo a Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes, a Direção de Turismo da Madeira recebeu 170 queixas contra aquela agência, sendo 54 de franceses, 33 de portugueses, 25 de espanhóis e igual número de queixas de ingleses, 11 de italianos, nove de alemães e 13 de turistas de outras nacionalidades.

A tutela adianta que o «valor global de danos financeiros ronda os 200 mil euros», informando que o processo de contraordenação à empresa não se concluiu dado que a agência foi inserida num processo especial de revitalização.

«A aplicação da coima (de 1.000 a 10.000 euros por infração) colocaria em causa a recuperação da empresa, sendo que, para efeitos de interesse público, era preferível a Strawberry World liquidar as suas dívidas», sustenta a secretaria regional.

Face à declaração de insolvência, a 12 de junho, «a reclamação de créditos sobre a empresa deverá ser efetuada pelos lesados diretamente ao administrador de insolvência», obrigatoriedade que foi comunicada pela Direção Regional do Turismo a todos os reclamantes, acrescenta a Secretaria da Cultura, Turismo e Transportes.

A lista provisória de créditos reconhecidos inclui 175 nomes de particulares, empresas e entidades, que reclamam um total de 6,2 milhões de euros. A maioria dos credores são turistas, mas os créditos maiores são reclamados por unidades hoteleiras da região.

«Acho que a esses [aos turistas] não lhes chegará nada e, geralmente, são estrangeiros que pagaram as suas férias por via da net e chegaram aqui e não havia a confirmação do hotel, tiveram que pagar novamente muitos deles», admitiu o responsável, que em tribunal explicou que a sociedade tem três imóveis, sendo que um banco tem a respetiva hipoteca.

Quanto a outros ativos, «são parcos» e resumem-se a equipamentos informáticos «já com uns anos», observou Emanuel Gamelas.

Já o portal da Internet não tem valor de venda, dado que é um «ativo intangível» e que, ao perder a sua «notoriedade», passou a ter um «valor muito reduzido», sublinhou o responsável que viu aprovada a sua proposta de liquidação do património da empresa e a repartição do seu produto de acordo com as prioridades dos seus créditos.