A administração do banco francês Crédit Agricole admitiu participar nos processos judiciais interpostos contra os antigos dirigentes do Banco Espírito Santo (BES), por quem considera ter sido enganada, e disse estar a seguir atentamente as auditorias à instituição.

«Lamentamos ter sido enganados pela família com quem o Crédit Agricole estava a tentar criar uma verdadeira parceria para construir o maior banco privado em Portugal», afirmou o presidente executivo do banco francês, Jean-Paul Chifflet, citado pela BBC.

O Crédit Agricole anunciou ter registado uma perda de 98% do lucro no segundo trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado, devido ao impacto da participação que detinha no BES.

Segundo o banco, o terceiro maior de França, a participação de 14,6% no BES provocou uma perda de 708 milhões de euros nas contas daquele trimestre, tendo o valor descido de 696 milhões de euros registados em 2013, para 17 milhões este ano.

«A nova administração [do Novo Banco, que resultou do fim do BES e sua divisão num banco «bom» e num banco mau e indicou estar a considerar tomar ações legais e nós iremos participar delas», sublinhou Jean-Paul Chifflet.

Em conferência de Imprensa realizada a seguir à apresentação das contas, o presidente do Crédit Agricole, François Chaulet, assegurou, citado pela agência de informação financeira Bloomberg, que «a situação está confinada ao Banco Espírito Santo».

De acordo com este responsável, não é de excluir a possibilidade de ser recuperado algum dinheiro através «das medidas legais que serão tomadas».

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim-de-semana depois de o Banco de Portugal ter anunciado a sua separação num «banco bom», denominado Novo Banco, e num «banco mau».

O Banco de Portugal anunciou no domingo a injeção de 4,9 mil milhões de euros no BES para o capitalizar, através do Fundo de Resolução bancário, e o fim desta instituição, com a separação do banco fundado pela família Espírito Santo entre um «banco mau», em que ficam os ativos tóxicos, e o Novo Banco, que reúne os ativos não tóxicos, como os depósitos e que receberá a injeção de 4,9 mil milhões de euros.

O Novo Banco, liderado por Vítor Bento - que sucedeu ao líder histórico Ricardo Salgado na presidência do BES - fica com as agências e trabalhadores do BES.