A diretora-geral da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) considera que há falta de comunicação entre os países que falam a mesma língua e defende a existência de mecanismos para suportar as intenções expressas pelos Estados.

«A comunicação entre a procura de um país e a oferta do outro é fundamental porque há necessidades que são gritantes nuns sítios e noutro país que nem sabe disto há excedentes nessa área; é preciso é comunicarem uns com os outros», diz, em entrevista à Lusa, Georgina Mello.

A nova diretora-geral da CPLP, que defende uma vertente mais económica para esta comunidade de países com a mesma língua, defende a criação de «um conjunto de mecanismos para suportar as intenções dos Estados» e assume que uma das suas tarefas é precisamente «criar mecanismos que facilitem a criação de propostas que dêem corpo e consistência a um tecido económico ainda ténue, mas que já existe.»

«Temos um diamante na mão e ainda não o conseguimos lapidar, mas quando o fizermos vai ser brilhante e uma coisa belíssima», diz Georgina Mello, referindo-se ao potencial de uma área que representa 4% da riqueza mundial e que junta mais de 250 milhões de pessoas, mas que ainda enfrenta dificuldades nas trocas comerciais entre os seus membros, por exemplo ao nível do financiamento e dos mercados e tecnologia.

«Há bons projetos, mas não têm acesso a financiamento que existe noutros países [da CPLP], e depois temos abundância de operadores de mercado e tecnológicos nalguns países, ao mesmo tempo que temos carências muito graves noutros», diz a responsável, sublinhando que é preciso mais integração económica, a começar pelo aprofundamento da circulação de bens e mercadorias nestes oito países que partilham a língua portuguesa.

«A livre circulação de bens e pessoas pode acontecer mas só a médio ou longo prazo porque são alterações de fundo que implicam um debate complexo sobre a relação de cada país com o seu espaço regional«, que tem regras que impedem esta livre circulação, e «é complexo pôr os sistemas a falarem uns com os outros».

O segredo para o sucesso, explica a diretora geral da CPLP, é criar uma «comunidade paralela» àquela em que cada país está inserido regionalmente, seja Portugal com a União Europeia, seja o Brasil com o Mercosul, por exemplo.

«Ninguém quer sair da região económica em que está inserido, é preciso é criar margem para construir esta comunidade paralela, que traz grandes oportunidades, porque se se conseguir conciliar os dois espaços, cria-se uma ponte que permite às empresas dos países da CPLP aceder a este espaço regional que não seria o seu espaço próprio, agarrando um potencial que se poderá converter em realidade se se conseguir criar estes mecanismos, sobre os quais ainda nem temos a verdadeira dimensão do que pode representar, mas é qualquer coisa de fabuloso», conclui Georgina Mello.