A Federação Portuguesa da Indústria de Construção e Obras Públicas (FEPICOP) aponta esta quinta-feira para a subida do nível de confiança das empresas, em janeiro e fevereiro de 2014, afirmando que se notam «tímidos sinais positivos» dentro do setor.

O indicador de confiança das empresas inquiridas registou uma variação homóloga acumulada de 61% nos dois primeiros meses do ano, «para a qual contribuíram as variações positivas das avaliações referentes, quer à carteira de encomendas, quer às perspetivas de evolução futura do emprego», refere a FEPICOP, na análise de conjuntura relativa aos dois primeiros meses do ano.

No que respeita à carteira de encomendas, é no segmento de edifícios não residenciais que se nota a melhor evolução, «com variações positivas há já seis meses», indica a federação.

No entanto, a FEPICOP avisa que a análise quantitativa hoje divulgada é afetada pela «forte reestruturação sofrida pelo tecido empresarial, o que altera a base de inquirição», e também por «qualquer sinal positivo poder ser excessivamente valorizado» pelas empresas, num contexto de «profunda recessão».

A estrutura associativa aponta ainda como «francamente positiva» a avaliação dos empresários sobre o atual nível de atividade das empresas. Este regista uma variação positiva de 80%, comparando o saldo acumulado até fevereiro deste ano com o do período homólogo, «o que indicia um sensível acréscimo no ritmo de produção».

A confederação destaca ainda a área licenciada para fins não habitacionais, «que cresceu 7,9% face ao período homólogo nos dois primeiros meses do ano».

Ainda do lado positivo, a FEPICOP chama a atenção para o montante das obras com concurso aberto e o valor dos contratos celebrados, com subidas homólogas de 82% e 14,5%, respetivamente.

Em contrapartida, em janeiro «continuava muito elevado» o número de desempregados de empresas de construção inscritos nos centros de emprego, num total de 95.800 pessoas, acrescenta a análise hoje divulgada.

Este número é inferior aos 110.500 desempregados registados em janeiro de 2013, mas fica acima dos 94.500 apurados em dezembro do ano passado.

Igualmente negativo é o facto de as empresas continuarem «a debater-se com problemas de crédito».

Em janeiro o crédito concedido manteve-se em queda, com uma quebra de 13,4% face ao mesmo mês do ano passado.

Este número «traduz uma redução do nível de endividamento do setor, mas o malparado continua a assumir um peso excessivo no total dos empréstimos à atividade: 24,2% em janeiro», ressalva a FEPICOP.

Apesar da melhoria de alguns indicadores, a confederação conclui que «não se vislumbram condições para alterações de fundo que permitam este ano uma retoma da atividade», pelo que as estimativas continuam a prever mais uma descida da produção global no setor, ainda que menor do que nos últimos anos, de cerca de 4,5%.