As autoridades cabo-verdianas autorizaram a compra da totalidade do capital social do Banco Português de Negócios - Instituição Financeira Internacional (BPN - IFI) Cabo Verde pelo Banco BIC de Angola.

De acordo com uma portaria publicada no Boletim Oficial nº37, de 24 de Julho, a nova instituição internacional, com a designação de Banco BIC Cabo Verde, vai ter licença para praticar «todas as operações financeiras permitidas pela lei aplicável no país», cita a Lusa.

A decisão governamental de autorizar a aquisição da totalidade do capital do BPN - IFI, foi tomada após parecer do Banco de Cabo Verde (BCV), que regulamenta o direito de estabelecimento desta instituição financeira.

O Banco Internacional de Angola (BIC), que controla o BIC Portugal, adquiriu ao Estado português, por 30 milhões de euros, o BPN-IFI de Cabo Verde.

A entrada do BIC no mercado financeiro cabo-verdiano inscreve-se na estratégia de expansão do BIC Angola nos mercados africanos.

Angola está já presente no mercado cabo-verdiano através da Sonangol, parceira da Galp com 38% da Enacol, do Banco Africano de Investimentos (BAI) e da Unitel.

A Sonangol possui ainda 5% da CV Telecom, uma associação com a PT, e é o maior accionista do BAI.

A Unitel controla a operadora móvel cabo-verdiana T+, a que está ligada a empresária angolana Isabel dos Santos.

Em 2002, o BPN adquiriu o Banco Insular, de Cabo Verde, que em 2008 foi apontado pelas autoridades portuguesas como estando associado a «um buraco financeiro» que levou o Governo português a nacionalizá-lo.

Em 2009, com o escândalo do BPN em curso em Portugal, o Governo de Cabo Verde decidiu revogar a licença do Banco Insular de Cabo Verde.

O Banco Insular foi autorizado a operar em Cabo Verde por portaria em 1997 e iniciou a sua atividade a 30 de Outubro de 1998.