A Cofina, dona da CMTV, do «Correio da Manhã» e do «Jornal de Negócios», formalizou esta semana junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) o desejo de concorrer a futuros concursos para canais em sinal aberto na TDT.

Em carta a que a Lusa teve acesso, datada de 13 de setembro, e assinada pelo próprio líder da Cofina, Paulo Fernandes, o grupo comunica à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que «desde já manifesta e formaliza o desejo de concorrer a futuras concessões de alvará para televisão FTA [Free-to-air, televisão em sinal aberto] no quadro da TDT [Televisão Digital Terrestre], comprometendo-se a apresentar um projeto de interesse nacional, com qualidade técnica, privilegiando a produção nacional e a língua portuguesa».

ERC e Cofina confirmaram à Lusa a receção e o envio da carta, sendo que fonte oficial do grupo de comunicação social reservou para «momento oportuno» eventuais comentários sobre o interesse de possuir um canal aberto na TDT formalizado ao regulador.

A Cofina fez ainda saber à ERC que «discorda da opinião de que o mercado, nas condições recessivas atuais, não comporta mais canais FTA», defendida publicamente em várias ocasiões pelos donos da SIC e da TVI, durante todo o período em que o Governo manteve em aberto a intenção de privatizar ou concessionar uma das duas frequências da RTP em sinal aberto.

«Pelo contrário», escreve Paulo Fernandes, a Cofina «entende que só o aparecimento de novas propostas poderá continuar a cativar o interesse do público e dos investidores publicitários e evitar a migração de ambos para outros formatos».

A Cofina recorda que, «mau grado a conjuntura adversa», lançou recentemente na plataforma MEO um canal de televisão generalista, o CMTV, que difunde diariamente cerca de 12 a 14 horas de produção própria, em sinal de alta definição (HD), totalmente em português, tendo para o efeito criado «80 postos de trabalho».

O grupo manifesta-se por isso «em condições para poder desenvolver um projeto credível e sustentado de canal FTA no quadro da TDT, quer a nível de conteúdos, quer a nível de expertise tecnológica».

A Cofina alega finalmente estar «penalizada na sua concorrência com os restantes grupos de media de relevo, porque justamente não possui um canal FTA, atento o facto de mais de 75% do investimento publicitário em Portugal ser feito neste tipo de televisão».

Paulo Fernandes deixa finalmente claro o «empenhamento» da Cofina «em ser parte integrante do futuro próximo da TDT em Portugal, seja em versão standart ou desejavelmente em HD».