Notícia atualizada às 23:37

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) quer que o Banco Espírito Santo (BES) esclareça, antes da abertura da bolsa na sexta-feira, se se confirmam as notícias que apontam para a saída de Ricardo Salgado da liderança do banco.

«A CMVM entende serem necessários esclarecimentos do emitente [BES] antes da reabertura do mercado», adiantou à Lusa fonte oficial do supervisor do mercado português.

Hoje, a edição online do jornal «Expresso» avançou que a administração do BES, liderada por Ricardo Salgado, vai renunciar ao seu mandato e que poderá haver, já na sexta-feira, uma convocatória de assembleia geral para o efeito.

A TVI tentou apurar junto de fontes oficiais do banco se as informações sobre a saída eminente de Salgado da presidência executiva do BES são verdadeiras, porém, até ao momento, tal não foi possível.

Entretanto, o «Diário Económico» avança que o Governador do banco de Portugal, Carlos Costa, não quer membros da família Espírito Santo que se encontram na actual administração do BES na nova equipa de gestão. O site económico indica que Carlos Costa já comunicou a Ricciardi que tem de sair com Salgado.

O Grupo Espírito Santo (GES), que detém, entre outros ativos financeiros e não financeiros, o BES e a seguradora Tranquilidade, viveu, no final do ano passado, uma luta de poder e foram mesmo tornadas públicas as desavenças entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, apontado para suceder a Salgado.

A 11 de novembro de 2013, os dois primos emitiram uma declaração conjunta a anunciar um entendimento sobre o processo de sucessão na liderança do grupo.

Já na semana passada, questionado pela agência Lusa sobre se cumprirá o seu mandato até ao fim (termina em 2015), Ricardo Salgado preferiu não «entrar agora nesse capítulo».

Certo é que a saída de Salgado da presidência do banco tem sido tema recorrente na comunicação social, isto, numa altura em que o GES passa por um processo de transformação, de forma a tornar a estrutura mais simples e responder a recomendações do Banco de Portugal.

Com as alterações, a Rioforte (que detém a área não financeira) deverá passar a ser a holding central do grupo, ficando sob a sua alçada a parte financeira do grupo (BES, BES Investimento e seguradora Tranquilidade, hoje na alçada do Espírito Santo Financial Group), assim como as áreas não financeiras.

O BES concluiu recentemente um aumento de capital, de 1.045 milhões de euros, que foi totalmente subscrito com a procura a superar a oferta, tendo os resultados sido anunciados a 11 de junho. As novas ações começaram a ser negociadas a 17 de junho.

O objetivo da operação foi reforçar os rácios de capital do banco, que será um dos bancos portugueses submetido aos exercícios do Banco Central Europeu (BCE).