Os cinco principais bancos em Portugal acumularam prejuízos de 817 milhões de euros no primeiro semestre deste ano. Os lucros do BPI e do Santander Totta, os únicos com resultados positivos, não chegaram para compensar as perdas do BCP, BES e Caixa Geral de Depósitos. Contas feitas, os cinco bancos perderam, por dia, 4,5 milhões de euros.

O BCP foi o banco que registou maiores prejuízos: 488 milhões de euros, seguido do BES, com 237,4 milhões de euros, e da CGD, cujos resultados semestrais foram conhecidos esta tarde: prejuízos de 181,6 milhões de euros.

Estes três bancos somaram assim perdas de 907 milhões de euros. Prejuízos mitigados apenas pelos lucros de 58,9 milhões de euros do BPI e pelos ganhos de 30,9 milhões de euros do Santander Totta.

Uma das componentes que ajudou a penalizar os resultados das principais instituições financeiras foram as maiores imparidades que tiveram de constituir por imposição do Banco de Portugal.

O único banco a apresentar uma melhoria dos resultados foi, ainda assim, o BCP, que tinha perdido 544 milhões na primeira metade do ano passado. Nos casos do BES e CGD, os prejuízos aumentaram fortemente e, nos casos do BPI e do Santander Totta, os lucros registaram uma forte queda face ao homólogo.

Os resultados dos bancos revelam ainda que os bancos que receberam ajuda estatal, BCP, BPI e CGD pagaram ao Estado 218,6 milhões de euros no primeiro semestre.

O BCP pagou o valor mais alto, 134 milhões de euros, enquanto o BPI teve um custo de 44,8 milhões de euros com os juros das chamadas «CoCo bonds» e a Caixa Geral de Depósitos contribuiu com 39,8 milhões para os cofres públicos.

Recorde-se que, no ano passado, o Estado fez empréstimos obrigacionistas para que os três bancos se pudessem recapitalizar, a uma taxa de juro que começou nos 8,5% e vai aumentando com o passar dos anos. Do envelope de 12 mil milhões de euros destinado à banca no resgate internacional a Portugal, o Estado injetou 3.000 milhões de euros no BCP e 1.500 milhões no BPI, através de obrigações subordinadas de conversão contigente (as chamadas «CoCo bonds», dívida que pode ser transformada em ações em determinadas circunstâncias). O BPI tem vindo a recomprar esta dívida e reduziu para 920 milhões de euros o montante das obrigações subordinadas nas mãos do Estado.

Enquanto acionista, o Estado injetou ainda 1.650 milhões de euros na CGD, dos quais 750 milhões de euros em ações e 900 milhões de euros em «CoCo bonds».